Carreira: MERYL STREEP [1]

Meryl Streep

Meryl Streep

O Brilho e a Timidez

Hoje começo uma série de postagens que vão analisar a carreira de uma das maiores atrizes da atualidade, Meryl Streep. No futuro, pretendo transformar essa ideia em uma coluna fixa sobre atores e diretores. Nos textos a seguir, você não vai encontrar muita coisa sobre a vida de Streep, pois minha intenção é construir sua cine-biografia e demonstrar sua importância no mundo do cinema e seu caráter simbólico que vêm quebrando paradigmas desde a década de 1990, quando a atriz demonstrou que chegar aos 40 não implica necessariamente ser sempre a coadjuvante em Hollywood. Se quiser saber fofocas, terá de procurar em outro lugar, mas não garato que encontrará muita coisa, já que uma das marcas de Streep é sua discrição.

Meryl Streep nasceu em 22 de Junho de 1949, em Summit, New Jersey e, antes de aparecer pela primeira vez em um filme, foi garçonete, estudou canto clássico, estudou artes em Vassar, perdeu a entrevista para a faculdade de Direito e acabou ingressando em Artes Cênicas em Yale, o que lhe rendeu espaço no teatro e, depois, na televisão. Já aos 27 anos, Meryl se mudou para Nova York e acabou se consolidando no teatro, graças a seu talento fora do comum. Em 1977, Streep estreia nas grandes telas junto a seu primeiro filme, Julia.

Meryl

Meryl

Apesar de aparecer pouco e dividir a tela com grandes nomes como Vanessa Redgrave e Jane Fonda, Meryl chama a atenção na única cena em que participa, com seus cabelos negros e suas bochechas proeminentes. Julia é um filme singelo que levou três Oscar: Melhor Ator Coadjuvante (Jason Robards), Melhor Atriz Coadjuvante (Vanessa Redgrave) e Melhor Roteiro Adaptado.

Em 1978, O Franco Atirador (ganhador de 5 Oscar, inclusive de Melhor Filme) proporciona a Meryl sua primeira indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. O filme, de três atos, retrata a pacata vida de um grupo de amigos que se vê abalado quando alguns deles são convocados para a Guerra do Vietnã. A partir daí, as mazelas da guerra são mostradas sem pudor; e a dor do retorno para a casa com a morte de um deles nas costas amarra a dramaticidade da história. Entretanto, O Franco Atirador peca em seu ritmo lento e em sua longa duração. Com Robert DeNiro, Christopher Walken e John Cazale que, na época, namorava Meryl e pouco depois faleceu devido a um câncer.

Em 1979, vemos Manhattan, um inteligente filme do ainda mais inteligente diretor Woody Allen, no qual Meryl interpreta o pequeno papel da fria ex-esposa lésbica do protagonista. É interessante notar que o ar de arrogância  e os olhares cortantes de Streep neste papel conversam com os de Miranda, sua personagem de O Diabo veste Prada, de quase trinta anos mais tarde. Também em 79, somos presentedos com Kramer vs Kramer (vencedor de 5 Oscar, incluindo Melhor Filme), um sensível filme sobre a relação de um pai (Dustin Hoffman) com seu filho pequeno depois de abandonados pela mãe, magistralmente interpretada por Meryl Streep, que foi premiada com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O fato é que neste filme, em que uma mãe toma atitudes impensáveis para o tempo em que vivia, Meryl acaba roubando a cena de Hoffman e começa a se projetar ao estrelato. A cena do tribunal fala por si só.

Meryl Streep no Oscar 1980

Meryl Streep no Oscar 1980, por Kramer

Em 1981, Meryl estrela duas personagens em A Mulher do Tentente Francês, filme com questões interessantes, mas que acaba não funcionando nas telas como adpatação de um romance. Pelo filme, Meryl de sotaque  britânico recebeu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Mas é no ano seguinte que seu talento se tornaria inquestionável. Inicialmente, Meryl participou de Na Calada da Noite, um suspense que tentou se vender como “homenagem ao mestre Hitchcock”, mas que não passa de uma vergonha ruborizante.

É com A Escolha de Sofia que Meryl mostra a que veio. Sua personagem é de uma complexidade imensa e sua interpretação é apontada como uma das maiores da história do cinema. Com o papel de Sofia Zawistowska, Meryl Streep alcança um patamar pisado por poucos como Marlon Brando e Katherine Hepburn, que não escondia a antipatia que nutria por Streep. A Escolha de Sofia é um belíssimo filme que viaja por questões espinhosas, desde o holocausto até a vida cotidiana de Sofia nos Estados Unidos, depois de fugir do nazismo. Isso sem falar na Escolha! Papel deveras esférico, Sofia é mãe,  é carrasca, é amante, é amiga, é sobrevivente, é imigrante, é misteriosa. Todo o peso de seu passado nos é transmitido pelos olhares de Meryl Streep, que nos entrega uma das personagens mais completas de que se tem notícia. E com sotaque polonês! Não é à toa que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz.

A Escolha de Sofia marca um novo tempo na carreira de Meryl, que se tornou uma das atrizes mais respeitadas de Hollywood. A timidez inicial dará lugar a uma atriz mais madura em sua vida e em suas interpretações. Nessa época, em com razão, a década de 1980 foi vista como a década de Meryl Streep. E é esse período que exploraremos no próximo texto. Até lá!

Leia também a Parte 2, Parte 3 e Parte 4

No set de A Escolha de Sofia

No set de A Escolha de Sofia

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12 Comentários

Arquivado em Carreira

12 Respostas para “Carreira: MERYL STREEP [1]

  1. Adorei ficou muito bom voce tem muito talento para escrever.
    To ansiosa para ver seu outro texto
    ate lá!!!

  2. Hanna

    Estou ansiosa pela sua continuação!
    Adoro a Meryl e adorei o seu texto!

  3. Olá!

    Que bom que gostaram… Isso é o mínimo que a Meryl merece! Já publiquei a segunda parte

    Abraços

  4. Claudia Vanessa Quaiotti

    Renan, tbm adorei ler seu texto, ele tem uma fluidez que prende nossa atenção.
    Tbm estou ansiosa por continuar lendo o que vc escreverá sobre nossa querida e favorita atriz Meryl!
    Parabéns!!!

  5. Raíssa Toscano

    Renan, obrigada por nos presentear com esse texto maravilhoso. AMO Meryl e, p mim, ela é a maior atriz de todos os tempos.
    Parabéns!!!

  6. Já tem a parte 2!

    Abraços,
    Renan

  7. Jessica Rumão

    Muito bom essa análise. Mal posso esperar para ler o restante!!

  8. mimi

    eu nao achei bom nao… achei ótimo!!!

  9. suzana

    Muito bom
    estou esperando o próximo
    e o olhar que vc falou realmente podemos perceber nos filmes de Meryl como uma evolução ou amadurecimento da atriz , nos filmes de inicio de carreira realmente naum vi

    bj

  10. Fátima Peres

    Começei pelo fim ,mas vc é mesmo muuuito bom. Adorei sua análise e separação dos textos. Por favor coloque isso em um livro….
    bjs

  11. Pingback: Crítica: JULIE & JULIA « O Embasbacado

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