Crítica: A Duquesa

Eu não mereço um Oscar pelo menos?

Eu não mereço um Oscar pelo menos?

Quase todo ano aparece um filme de época muito bem trabalhado que chega para concorrer às categorias de figurino, direção de arte, maquiagem e etc do Oscar. Na festa de 2008, assistimos a Elisabeth – A Era de Ouro levar a estatueta de Melhor Figurino e em 2007, o vencedor da vez foi Maria Antonieta. Na premiação de 2009, há grandes chances de A Duquesa, na melhor tradição, ser premiado com o Oscar de Melhor Figurino.

Georgiana Spencer (Keira Knightley) é uma jovem aristocrata que se casa com o Duque de Devonshire (Ralph Fiennes), com a promessa de lhe dar um filho homem. Com o passar dos anos, a jovem só tem filhas mulheres e, à medida que vai se envolvendo em política e aumentando sua fama na Inglaterra, a situação de seu casamento vai se deteriorando. A partir daí, somos apresentados a um belo filme de época, mas que não se sobressai como um clássico do gênero.

Falar das belezas técnicas do filme é chover no molhado. O figurino da película é realmente muito bem trabalhado, a exemplo de outras produções notáveis de época. Nesse tipo de filme, é necessário vestir todo mundo que aparece em cena com roupas que vão desde as de dormir até as de gala. Alguns defendem que é mais fácil ambientar um filme de uma  época muito distante de que ninguém se recorda do que criar um ambiente da década de 1980, por exemplo. Particularmente, penso que ambos os trabalhos têm seus méritos, mas as produções de época distantes têm uma grandeza particular. Provavelmente, o filme deverá levar a estatueta dourada de Melhor Figurino em 2009.

Outro ponto positivo é a iluminação realista do cenário. Um dos maiores pecados que filmes de época podem cometer é passar a impressão que há alguma luz artificial iluminando o cenário à noite. Em A Duquesa, as cenas de jantares podem incomodar alguns pela relativa escuridão, mas o filme acerta na iluminação realista e no clima escuro. Afinal, o salão é iluminado apenas por velas, né!

Valhe a pena comentar sobre outro aspecto da película. Há uma cena, talvez a mais dramática do filme, (spoiler!) em que Georgiana tem de abrir mão de uma de suas filhas bebês. As circunstâncias são bem diferentes, mas toda vez que uma mãe tem de abrir mão de um filho, não há como esquecer A Escolha de Sofia, de 1982. Em A Duquesa, a cena é construída como um prodígio do filme. No momento mais dramático, a câmera se afasta da atriz Keira Knightley e a música instrumental tem seu volume aumentado. Assim, a dramaticidade da cena se baseia (fora a temática que já é, por si só,  fortíssima) em elementos acessórios. Já em A Escolha de Sofia, no ápice da cena, não há música e o rosto de Meryl Streep preenche quase toda a tela. Dessa forma, a força do drama se sustenta pelo prodígio da atriz. São duas formas de se trabalhar um potencial dramático.

E quanto à temática do filme? Bem, o roteiro é adaptado e não dá para fugir muito do livro. Muitos vão assistir e ter aquela impressão de “já vi isso em algum lugar”, porque casamentos forjados na nobreza já apareceram bastante por aí. A jovem se casa muito nova, não consegue ter filhos homens, não pode viver seu verdadeiro amor e não é bem tratada pelo marido. Não há grandes novidades nesse sentido. O que pode chamar a atenção é a relação entre Georgiana e a amante do Duque e as relações entre mães e filhos, que trazem alguns novos ares.  A ambientação do momento histórico também é acertada. Georgiana se envolve em política e, apesar de o assunto não se aprofundar, podemos notar o clima revolucionário do século XVIII, quando o liberalismo e o parlamento inglês estavam em vias de dominar o planeta.

De um modo geral, o elenco dá conta do recado. Dominic Cooper (de Mamma Mia!) cumpre seu papel de Charles Grey, mas não consegue passar o carisma e a profundidade de que seu personagem necessita. Na derradeira cena em que o personagem precisa da empatia do público, Dominic fica devendo muito. Ralph Fiennes não tem espaço para brilhar como poderia, mas constrói perfeitamente seu personagem, que é a encarnação da fleuma inglesa.  A melhor cena do ator é quando ele afirma: “Que maravilhoso ser livre assim”. Nesse momento, percebemos que Georgiana não é a única vítima de seu tempo. Keira Kinghtley mostra seu amadurecimento como atriz, dando conta das diversas facetas da aristocrata que interpreta.

A Duquesa se revela um galante exercício estético de época e um belo filme para aqueles que apreciam a beleza do passado e o poder do drama. Com atuações satisfatórias, uma história interessante e uma trilha sonora competente e adequada à película,  o filme se mostra um bom exemplar de gênero, mas não entrará no rol dos grandes clássicos. Seu glamour não alcançará a pompa das cortes a que o filme faz tanta referência.

5 Comentários

Arquivado em Crítica

5 Respostas para “Crítica: A Duquesa

  1. Maravilha. Gostei. Vou assistir.

  2. Ariane

    “A Duquesa”é um filme belo. Merecia um Oscar de melhor figurino..já que fizeram um maravilhoso retrato das roupas de época ..principalmente da Duquesa que na época ditava moda na Inglaterra.
    As atuações estão adequadas,contudo a única atuação que não me agrada 100% é a de Dominic Cooper (Grey)….este ator ainda tem um longo caminho pra crescer em sua interpretação….
    O filme em si..é bem produzido,fotografia, figurino e um toque sóbrio de emoção !

  3. O importante é ir ao cinema mesmo!

  4. Michelle Porto

    Crítica muito bem feita é muito bem detalhada.
    Me apaixonei pelo filme e já sou Fan da Atriz a algum tempo.
    Gostei da parte em que comenta o trabalho do ator Dominic Cooper que deve ter um ótimo empresário pois ele realmente é muito fraco, não acrescenta muito em Mama Mia e tão pouco em A duquesa, gostaria de ter visto um ator mais bonito e mais talentoso no filme.
    Abraços

  5. Thaís

    Eu já assisti ao filme algumas vezes e acho emocionante,maravilhoso,tudo de bom.Sempre choro vendo rs.Em relação ao Dominic Cooper,eu gosto dele,mas realmente não é lá essas coisas.Precisa melhorar,mas tá no caminho certo.Beijos!

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