Crítica: O LUTADOR (2008)

E aí, vai encarar um presuntinho?

E aí, vai encarar um presuntinho?

Não tenho idade suficiente para ter vivido o período em que Mickey Rourke era visto como uma grande promessa do cinema. Porém, com todo o barulho que fizeram sobre a “ressureição” do astro, com toda a exposição de sua trajetória de ascensão e queda, confesso que logo assistirei a seus filmes dos anos 1980. O Lutador aumentou ainda mais minha vontade.

Mickey Rourke vive Randy, um lutador que teve seus dias de glória nos anos 8o, mas que vive em franca decadência. Como se não bastasse, o cara ainda tem que enfrentar um coração fraco, fantasmas do passado e um possível amor com uma stripper que insiste em separar a vida pessoal da profissional, interpretada por Marisa Tomei. O filme não é autobiográfico, mas claramente dialoga com a própria trajetória de Rourke. O astro viveu o auge de sua carreira nos anos 80, entrou em acelerada decadência nos anos 90 e chegou a viver de favores, quase tão mal como Randy no filme. Depois de esfriar sua carreira como ator, participando apenas com pequenas pontas de diversos filmes duvidáveis, Mickey Rourke seguiu como lutador de Box, o que lhe rendeu várias fraturas e cirurgias plásticas no rosto, mudando-lhe a expressão e seus traços. Como Randy, Rourke sempre fora um valentão.

O ator concorreu ao Oscar de Melhor Ator merecidamente. Estou certo de que sua trajetória de vida e seus trabalhos passados influenciaram em sua escolha para a categoria, mas isso não desmerece sua atuação em O Lutador. Ao contrário, o tom de redenção que o personagem carrega é grandioso e o roteiro chega a compará-lo a Jesus Cristo. Rourke constrói cenas marcantes do ponto de vista emocional e do ponto de vista técnico, produzindo emoções verdadeiras na audiência, principalmente entre aqueles que conhecem a história do ator.

Evan Rachel Wood e Marisa Tomei também fazem um bom trabalho. Wood, que interpreta a filha de Randy, vem mostrando que é uma grande atriz com participações marcantes em filmes de pouca divulgação como Aos Treze e Correndo com Tesouras. Marisa Tomei também aparece segura nas telas e, além de tirar a roupa, faz um trabalho competente que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Quanto aos demais aspectos, a película tem aquele jeitão de independente e de baixo orçamento. Mickey Rourke nem foi pago para fazer seu papel e o filme foi adquirido pela Fox Searchlight no festival de Toronto. A filmagem é pontual e simples, mas muito competente. Em alguns momentos, o jogo de câmeras dialoga com a história, seguindo Rourke de trás, como se seguisse sua trajetória.

O Lutador é um bom filme, mas que tira muito de suas forças de seu ator principal. Rourke tam talento e sua história de Herói Decaído amplia a aura da película. Mesmo com as limitações técnicas de um filme de baixo orçamento, o roteiro e a direção criam situações marcantes e originais e se utilizam de alguns clichês que acabam esquecidos diante do resto da história que envolve a audiência. É, Randy, “os anos 90 foram uma merda”. Rourke não morreu nos ringues, agora vive nas telas. Resta saber até quando. 

3 Comentários

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3 Respostas para “Crítica: O LUTADOR (2008)

  1. Gostei muito do filme. Mas sou suspeito pq acho que sou o fã número 1 do Anorovfsky…

    Grande abraço.

  2. Seu Amigo

    Ele ficou muito famoso no Brasil em 86, depois de “Nove Semanas e Meia de Amor”. A mulherada adorava.

  3. Pingback: Retrospectiva 2009: Parte 2 « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

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