Crítica: A RAINHA (2006)

Curvando-se ao talento de Helen Mirren

Curvando-se ao talento de Helen Mirren

Assisti a A Rainha pela primeira vez na ocasião de seu lançamento e pela segunda vez dias atrás para fazer um seminário na faculdade. Sim, tenho que relacionar o filme à obra  de um dos grandes filósofos do Direito, Hans Kelsen. Meus professores são criativos! Desconfio que tenha algo a ver com o ser e o dever-ser, mas de qualquer forma o filme se revelou um bom programa. Desculpem-me por não poder lançar questionamentos direitos, o que gosto muito de fazer, mas estou com problemas no teclado e não consigo achar o ponto de interrogação!

O filme cobre um período de tempo que começa com Tony Blair (Michael Sheen, o Frost de Frost|Nixon) assumindo o cargo de primeiro ministro britânico e se desenvolve na época em que a Princesa Diana sofreu um acidente de carro e veio a falecer. Acho que todo mundo se lembra da história. O argumento do filme se constrói em torno da vida íntima família real nessa época em que a fleuma britânica derreteu, enfocando principalmente a Rainha Elisabeth II, magistralmente interpretada por Helen Mirren.

Assim como 2008 foi o ano de Kate Winslet, 2006 fora o ano de Helen Mirren. A atriz mereceu todos os prêmios que levou por sua Elisabeth, encarnada com todas as suas sutilezas e olhares ambíguos. Helen Mirren consegue passar uma sensibilidae extrema e humanizar uma das figuras mais esteriotipadas do mundo. A cena que envolve a monarca e um cervo é o ápice da sensibilidade da atriz, que nos mostra muito bem como Elizabeth estava acuada, indentificando-se com a figura do animal. Palmas também para Sylvia Syms, que nos entrega uma estupenda Rainha Mãe.

Outro ponto forte do filme é o trio Direção de Arte, Figurino e Maquiagem. O trabalho é muito bem feito a ponto de levar qualquer um a sentir como é viver nas dependências das casas reais e por entre a classe da alta costura. Até mesmo nas roupas simples que a realeza usa a equipe acerta.

A Direção e a Edição do filme também rendem bons bocados. O Diretor Stephen Frears impoe um ritmo cosntante à pelicula, que não chega a cansar em momento algum e conduz com maestria o grande elenco que tem em mãos. A edição do filme, ao apostar em imagens e cenas reais, cria um clima documental que aproxima o filme da realidade. Mais recentemente, podemos ver o mesmo recurso em Milk – A Voz da Igualdade.

Outro aspecto a se destacar é a relação de circularidade que se estabelece entre a mídia e a opinião pública. Pergunto-me até que ponto a indignação popular era legítima ou provocada pela onda de reportagens de jornal. Aliás, nota-se a força da mídia frente as instituições inglesas, que já são muito arraigadas graças a Common Law. A insuflação da mídia chegou a fazer os britânicos a questionarem o papel da monarquia, vejam só! Nesse parágrafo o ponto de interrogação fez falta…

O senso de humor levemente fora de tom e os elogios excessivos à figura de Elizabeth II não chegam a comprometer o resultado final da película, que tem grandes qualidades estéticas e que passa sensibilidade à audiência. Um dos grandes filmes de 2006, o trabalho lança questionamentos muito atuais e configura-se como um enorme elogio ao talento de Helen Mirren.

1 comentário

Arquivado em Crítica

Uma resposta para “Crítica: A RAINHA (2006)

  1. Peterson

    Olá Renan, tudo bem?
    Adorei a crítica sobre o filme A Rainha e parece até uma coincidência você fazer essa crítica justo agora uma vez que, na semana passada, eu estive lendo algumas criticas sobre esse filme pois pretendo pegar na locadora para assistir.
    Depois de ler sua crítica, fiquei ainda mais ancioso para assisitr…
    Gostei do Post sobre a Crítica de Cinema… Não é por nada, mas temos que reconhecer talentos e Renan, você escreve muitoooo bem mesmo!
    E aí em São Paulo, como está a faculdade? Já sinto falta da sua turma por aqui… Quando vier a Bauru vê se passa um dia aqui no Colégio viu!
    Abraços!

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