Arquivo do mês: julho 2009

Crítica: HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE

Tempos sombrios se resolvem com "Lumus"

Tempos sombrios se resolvem com "Lumus"

Os letreiros iniciais do filme já anunciam o que está por vir. Nem mesmo a tradicional música de abertura, que arrepiava todos os fãns em pré-estreias, dá as caras neste novo longa. Somente um som baixo e um cinza provocativo. Harry Potter e o Enigma do Príncipe é o filme mais adulto de toda a série, mas é também o mais juvenil. É a película mais densa já produzida, mas que se esquece de momentos cruciais da história e transborda namoricos por todos os lados. É a história mais dramática já produzida nos longas do bruxo (que já deixou de ser bruxinho faz tempo), mas que é abotoada de momentos de frivolidade. O novo Harry Potter parece ser um filme de extremos, e as reações a ele também têm sido polêmicas.

Desde o terceiro longa que cada novo filme da série é “o mais sombrio de todos”. Essa constatação já é batida e diminui os reais avanços das adaptações. Tecnicamente, a saga evoluiu muito e vem nos presenteando com filmes esteticamente belos. A Direção de Arte é muito competente, os cenários estão detalhados, muito bem construídos e em consonância com o clima cinzento do longa. E alguém aí notou a data em que Dumbledore conheceu Tom Riddle?  Leia os Spoilers mais abaixo. Os efeitos especiais também merecem crédito, tanto na recriação de cenários quanto na sutileza das magias que vemos em cena.

Snape... melhor personagem da série

Snape... melhor personagem da série

O elenco também não faz feio. Os veteranos sempre foram um ponto fortíssimo da franquia, o que não foge à regra agora. Michael Gambon nos entrega o melhor de Dumbledore, certamente não o do livro, mas o que construiu brilhantemente desde o terceiro filme. Alan Rickman continua sendo o melhor Snape que pode existir (desconfio que seja um Snape ainda melhor do que imaginamos…) Maggie Smith dispensa comentários. A surpresa, no entanto, fica por conta de Jim Broadbent, que revelou uma imensa genialidade ao compor o professor Slughorn. Transpondo toda a excentricidade que o personagem possuía no livro, Broadbent dá um toque de humanidade transbordante ao professor, rendendo os momentos mais hilários e mais sinceros.

E o trio principal? Ruppert Grint (Rony) sempre foi o menos mecânico e cresceu com um talento interessante para a comédia, que está sendo bem utilizado pelo atual diretor. Emma Watson (Hermione) amadureceu muito nestes anos todos, livrando-se de vários de seus cacoetes (caretas, sotaque britânico muitíssimo acentuado). Mas o Daniel Radcliff (Harry) não me convence. Ele é totalmente inexpressivo, o que fica mais claro quando divide as telas com Gambon ou Broadbent.

Prof. Slughorn

Prof. Slughorn

A questão crucial neste filme tem a ver com a adaptação. Visto independetemente do livro, a película se sustenta bastante bem. O roteiro se desenvolve com ritmo, apesar de algumas soluções apressadas para alguns problemas que se apresentam e de cortes temáticos abruptos demais. O fato é que o sexto filme tem romance (às vezes, concordo, demais), aventura, drama e suspense muito bem misturados, o que rendeu o melhor filme da franquia, mesmo com a pressa da direção e do roteiro. Os fãns mais xiitas reclamaram que o filme não é fiel ao livro, o que é verdade. David Yates e a equipe do longa escolheram um determinado foco para construir um filme em vários momentos independente do livro (algumas cenas foram até inventadas). Descuidaram de algumas questões cruciais para colocar em relevo questões menores? Sim, com certeza, mas isso não chega a tirar os demais méritos do filme. Se quiser ler mais sobre isso, leia os spoilers abaixo.

Filme ponte entre o amadurecimento da franquia e seu derradeiro fim, “O Enigma do Príncipe” consagra o estilo de David Yates, mas causou a fúria de muitos dos fãns. Este novo Harry Potter é um filme de extremos, assim como as impressões que tiramos dele. Maduro, bem construído e com atuações notórias, a série vem deixando de ser meramente sobre a saga de um bruxinho, para alçar voo e tentar produzir filmes poderosos. Ainda sem total êxito, os dois últimos da franquia (na verdade, o sétimo dividido em dois) tem grandes chances de concretizar tais pretensões e fechar a série com chave de ouro. Em relação aos fãns, compreendo sua fúria, mas deixo minhas palavras: filme algum poderá recriar nas telas o universo que construímos lendo os livros. Cinema e literatura têm linguagens diferentes. Não seria possível enxergar livro e filme como realidades que se complementam?

<<<<<<<<<<SPOILERS>>>>>>>>>>

Gina...

Gina...

Dumbledore e Tom Riddle se conheceram em 1938, o que confirma que, na época em que se passa o filme, Voldemort tem 68 anos de idade. Dumbledore não deve passar longe das piadinhas do Ron, tendo facilmente 120 anos.

Já que inventaram uma cena de batalha na “Toca”, bem que poderiam ter feito uma decente, não é mesmo? Faltou uma bela batalha neste filme, como tivemos no filme anterior.

Será que ninguém percebe o título do livro e do filme? O Enigma do Princípe foi relegado a segundo plano e sua revelação foi a pior que poderiam ter inventado. Aquela cena final com Snape não convence ninguém, né!

Ok, conhecemos os Horcrux, mas eles também não foram explorados com a profundidade que merecem. Veremos o que nos aguarda no sétimo filme. O Enigma do Príncipe e as Horcrux foram os dois pontos que o filme pecou por explorar pouco e exagerar nos romances e frivolidades da vida adolescente.

Não dava pra ter deixado aquela garçonete de fora e honrado o Dumbledore com um enterro? Poupe-me! Espero que coloquem o enterro no sétimo filme.

Abraços

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HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE: pré-estreia e primeiras impressões

E o tempo passa...

E o tempo passa...

Como estou de férias, conferi Harry Potter e o Enigma do Príncipe em Bauru, cidade de 350 mil habitantes. Ocorre que a cidade é um pólo regional e tinha muita gente querendo ver Harry Potter. Contamos com quatro salas exibindo o filme no mesmo cinema e mais duas no outro cinema, um número grande considerando o tamanho da cidade. E por ser pólo da região, todos os fãns de carteirinha vêm pra cá, o que garante um espetáculo à parte do filme. Nem me dei ao trabalho de contar quantas pessoas estavam vestidas com roupas temáticas, quantos seguravam varinhas e vestiam camisetas dos filmes. Tivemos até desfile de fantasias e encomendas de varinhas. Eu mesmo vou comprar a minha. O interessante é que, quando era menor, via essas manifestações com o nariz torcido, mas hoje as aprecio muito. Me divirto com elas e com as pessoas corajosas que enfretam as chacotas e mostram do que gostam! Mas esse clima dificulta um pouco a análise do filme…

HARRY POTTER

Harry e Dumbledore

Algumas manifestações já foram negativas, defendendo que o filme foca demais nos namoricos sem graça dos personagens e não explora algumas questões cruciais. Pode ser verdade, mas só vou fazer uma crítica do filme daqui a alguns dias, depois que o rever. É difícil separar subjetividade e objetividade, porque Harry Potter é um marco na minha vida e na vida de muitas da minha geração. Comecei a ler seus livros com 10 anos, e foram os primeiros que li com real prazer e que me abriram as portas do mundo da literatura, do qual nunca mais saí. Além disso, Harry Potter é uma série que cresceu junto com os leitores, basta comparar a densidade do primeiro com a do sétimo livro. Isso garantiu a fidelidade dos fãns por toda a juventude. Quer um exemplo do contrário? “Desventuras em Série” é uma aventura que não evolui, são treze livros todos infantis. Resumo da ópera: adorava os livros quando tinha 12 anos, mas não consegui terminar de ler a série. Cresci, e os livros ficaram presos ao meu passado. Essa é uma discussão antiga no meio da literatura infanto-juvenil.

Clima de pré-estreia, filmes que acompanharam meu desenvolvimento. Estou embasbacado demais no momento para fazer uma crítica decente, mas prometo que escreverei nos próximos dias. O que posso adiantar? Independente do que dizem os críticos, os fãns adoraram, porque riram e choraram pra valer na sala do cinema. Talvez a pretensa objetividade clínica das críticas de cinema não tenham lá tanto valor…

Sempre torci por esses dois...

Sempre torci por esses dois...

Logo, logo tem mais! Aguardem!

[Atualização] As opiniões estão divididas entre os fãns, a polêmica está solta!

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