Crítica: NA MIRA DO CHEFE (2008)

The fucking best scene from the fucking movie! Fuck!

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Na Mira do Chefe é um daqueles mistérios que te faz inclinar um pouco para frente enquanto assiste ao filme, tentando mergulhar melhor em seu universo e em suas ideias. À primeira vista, um susto diante da narrativa pouco convencional, das piadas de humor negro e da história que não tem objetivo algum. Porque essa é a impressão que naturalmente surge para quem está acostumado com o cinemão norte-americano, em que um filme só chama atenção se muita coisa acontecer entre um começo e um fim bem discriminados. Narrativas que fogem ao formatos são taxadas de “sem pé nem cabeça”.

Ray (Colin Farrell) e Ken (Brendan Gleeson) são dois matadores enviados a pequena e singela Bruges, na Bélgica, por seu chefe, Harry (Ralph Fiennes). Enquanto Ken aproveita as belezas da cidade, Ray não consegue aturar a atmosfera local e se envolve em algumas confusões com um anão e um caso amoroso com uma bela dama de sotaque francês. Mas logo Ray vai se envolver em algo bem maior, graças a um grande erro que atormenta sua vida.

Sob um olhar mais atento, o filme é uma grande opção. Histórias como a que vemos dependem muito dos atores, que ocupam lugar central em um roteiro que não tem explosões, perseguições ou sequências frenéticas. Na Mira do Chefe acerta neste quesito. Collin Farrell, que ganhou o Globo de Ouro ano passado por seu papel, nos entrega um personagem esférico que viaja do cômico ao desespero com maestria. Brendan Gleeson move barreiras com seus olhares cortantes, seus sentimentos paternais em relação ao parceiro e seus duelos sintáticos com o Chefe, Ralph Fiennes, que também está ótimo, num papel que o permite abandonar a fleuma britânica característica.

O roteiro realmente merece todos os prêmios que ganhou e a que foi indicado, mas paradoxalmente é o grande calcanhar de aquiles do longa. Martin McDonagh, diretor e roteirista, conduz magistralmente a história excêntrica, que prende a atenção e nos apresenta a personagens complexos, situações problemas que oscilam do hilário ao dramático, tudo pontuado por uma trilha sonora vibrante e um trabalho técnico muito competente. No fim das contas, algumas cenas são de arrepiar os pelos. No entanto, quando vista na totalidade, reitero na totalidade, a história não se parece com a vida real, é idealista demais, o que deixa a impressão que McDonagh não conhece a vida de perto, mas é apenas um cara talentoso na hora de escrever roteiros.

Um bom filme, Na Mira do Chefe é uma ótima pedida para quem gosta de comédias fora do pastelão e histórias diferentes do padrão a que estamos acostumados. Com um pouco de esforço, o “sem pé nem cabeça” pode se tornar um momento de diversão e algumas reflexões. Entretanto, o filme não consegue ir a fundo na psiquê humana ou nas situações dramáticas da vida cotidiana, parecendo se passar em algum mundo destacado do nosso. A singeleza e a idealização Bruges, a típica cidade-sonho europeia, se reflete em Na Mira do Chefe. Ainda assim, recomendado!

2 Comentários

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2 Respostas para “Crítica: NA MIRA DO CHEFE (2008)

  1. A melhor (única boa?) atuação de Colin Farrel na história dele, rs… Um filme excelente, realmente um dos melhores do ano… Uma coisa que tenho a reclamar é sobre a sinopse do filme no DVD que entrega quase tudo, é uma pena mesmo…

    Abraços…

  2. Fiquei curiosos.. especialmente pela cena mostrada

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