Carreira: Meryl Streep [3]

Ah, esses óculos

Ah, esses óculos

Leia primeiro a Parte 1 e a Parte 2.

Diz a lenda que, certa vez, Meryl Streep recebeu uma carta de Bette Davis, na qual a diva do cinema americano relatava sentir que Meryl seria a próxima primeira dama da sétima arte. Coincidência ou não, Bette Davis morreu em 1989, mesmo ano em que Streep completou 40 anos, a prova de fogo de sua carreira, que alçaria um voo ainda maior que na década de 1980, levando-a ao topo do topo.

Nenhuma carreira se desenvolve à parte da História, e com Meryl não foi diferente. Aos 40 e diante de um futuro incerto, Streep participou entre 1989 e 1995 de várias produções “sessão da tarde”, que funcionaram como uma espécie de garantia de dinheiro fácil. Já em 1989, vemos o super rosa Ela é o Diabo e no ano seguinte, Lembranças de Hollywood, em que Meryl solta a voz novamente e contracena com Shirley MacLaine. Com mais uma indicação ao Oscar, Streep passará o maior tempo de sua carreira sem ser indicada novamente, 5 anos. Em 1991, Meryl vai ao outro mundo (literalmente) na comédia romântica Um Visto Para o Céu, filme de ideia original, mas que não convence muito.

Meryl e o marido, Don, há muito tempo...

Meryl e o marido, Don, há muito tempo...

Em 1992, a hilariante comédia  A Morte lhe Cai Bem, com Bruce Willis. Geralmente subestimado, o filme é uma grande crítica à perseguição da juventude eterna. De efeitos especiais muito modernos para a época, Meryl muitas vezes gravava as cenas com uma toca azul cobrindo toda a cabeça. Certo dia, a mãe da atriz visitou os sets de filmagem e não pestanejou: “eles te pagam tudo isso só pra você esconder o rosto atrás desse pano?!”. No ano seguinte, Streep participa da adapatação do romance de Isabel Allende, A Casa dos Espíritos, filme histórico e sensível sobre o golpe que derrubou Salvador Allende e instaurou a ditadura militar chilena. As cenas divididas com Glenn Close valem o filme. Em 1994, o mais sessão da tarde de todos os longas, O Rio Selvagem, aventura leve e despretensiosa que tem um ponto forte: Meryl apararece quase em todas as cenas do filme!

Em 1995, Meryl Streep refaz as pazes com a crítica e com o público ao encarnar com toda sua sensibilidade a italiana Francesca, em As Pontes de Madison, junto a Clint Eastwood num dos romances mais avassaladores e famosos da história recente do cinema. Com mais uma indicação ao Oscar, Streep iguala a marca de Bette Davis. Francesca é, na visão de muitos, um dos papeis que certamente teria dado a estatueta dourada para Meryl. Destaque para a cena do carro na chuva, referência em dramaticidade.

Nos dois anos seguintes, Antes e Depois e As Filhas de Marvin. O primeiro, um suspense sem graça e o segundo um drama mediano, em que Meryl surpreendentemente não se destaca muito.  Mas é em 1998 que Streep mostra seu talento ao compor Kate, a mais velha de cinco irmãs em A Dança das Paixões, filme singelo e bucólico sem grandes pretensões. É também neste ano que Streep nos presenteia com um de seus melhores personagens, outra Kate, em Um Amor Verdadeiro. Complexa e profunda, Kate tira forças do talento imenso de Streep que a cada novo papel mostra que não conhece barreiras. Mais uma indicação ao Oscar. Só para colocar lenha na fogueira: como pode Gwyneth Paltrow levar o Oscar em uma categoria em que concorriam Meryl Streep pelo papel de Kate, Fernanda Montenegro por Central do Brasil e Cate Blanchett por Elizabeth? No ano seguinte, Meryl faz Música do Coração, filme simples e gostoso de se ver e que lhe rende a décima segunda indicação ao Oscar, igualando a marca de outra lenda do cinema: Katherine Hepburn.

Durante a próxima década, Meryl Streep ainda surpreenderá a todos em performances marcantes e interpretações musicais surpreendentes. A primeira década do século XXI reservou a Meryl as melhores interpretações de sua carreria, o amadurecimento que a transformou no gênio além do gênio da juventude. E como se não bastasse, Streep cairá novamente no gosto do grande público e dos grandes estúdios, rendendo bilheterias quase na faixa dos bilhões, feito inacreditável para uma atriz na casa dos 60 anos. A pergunta que fica no ar é: a popularização de Meryl Streep será também seu crespúsculo? Isso é assunto para o próximo e último texto.

Leia também a parte 4.

Meryl em Um Amor Verdadeiro

Meryl em Um Amor Verdadeiro

Dedico esta postagem a Die, dona da comunidade Meryl Streep – Brasil e que se tornou fã da Meryl em 1998, graças a este maravilhoso filme que é Um Amor Verdadeiro…

3 Comentários

Arquivado em Carreira

3 Respostas para “Carreira: Meryl Streep [3]

  1. Die

    awwwnnnn brigada! amei!!!
    tem como não se apaixonar por essa carinha????
    primeira vez que vi nem foi no filme, foi no trailer mesmo. Depois no oscar (uma das melhores visões com certeza. ainda sou apaixonada por aquele outfit _ plagiando a fala de willian hurt ”She lit up everything around her”) Me emociono todas as vezes que vejo esse filme … sem exessão. Atuação de meryl com a trilha de Cliff Eidelman é divino. algo como de sentir orgulho de si próprio por ter a honra, prazer e oportunidade de apreciar tamanha interpretação _ melhor q isso só a combinação MS+mozart e/ou MS+philip glass hehe)

    deu vontade de ver o filme hahaha*-*
    parabéns e obrigada de novo😉

  2. Gioberlândia

    Renan magnífica análise sobre este período da carreira de Meryl Streep. Mais uma vez parabéns!!!

  3. Fátima Peres

    Muuuito bom mesmo vc é demais . Já pensou em escrevr um livro. No lançamento eu estarei na 1ª fila…..
    bjs

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