Crítica: ANTICRISTO (2009)

O Mal e a Dor

O Mal e a Dor

Lars Von Trier é sinônimo de polêmica e de caretas e em Anticristo o diretor chega ao feito de expulsar algumas pessoas da sala do cinema. Talvez o longa mais conhecido do diretor pelo grande público seja Dogville, com Nicole Kidman, que tem muita inovação e pouca aceitação pela maioria dos expectadores.  Von Trier é um cineasta experimental, totalmente marcado por seu próprio “eu”, criador de obras que instigam a plateia a pensar de onde raios o diretor tirou aquelas ideias. Neste quesito, Anticristo vai ainda mais longe. Se você tem problemas com cenas fortes, feche os olhos no terço final do filme.

Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg interpretam um casal que acaba de perder o filho pequeno. Por um descuido extasiante, enquanto os dois faziam sexo, a criança pula pela janela de onde moram. A partir daí, Charlotte desenvolve um quadro agudo de ansiedade e o marido, terapeuta, resolve levá-la para a floresta do Éden (o nome já nos indica algo que descobriremos ao fim do filme), onde possuem uma casa de campo. Diante deste argumento, Von Trier desenvolve uma narrativa psicológica e perturbadora.

Anticristo é mais um daqueles filmes em que a temática nos envolve tanto que fica difícil prestar atenção na parte técnica. Ainda assim, é possível perceber a beleza da filmagem do diretor, que oscila entre o onírico idealista e a câmera fechada e sufocante, de um realismo que incomada. O casal também faz bonito e se entrega de corpo, muito corpo, e alma aos papéis difíceis e esféricos, que exigem muito dos atores. Gainsburg levou o prêmio de melhor atriz no festival de Cannes, onde o filme levantou muita polêmica e ira dos setores mais conservadores (e até de alguns “liberais”). Não era para menos.

O sexo redime ou condena?

O sexo redime ou condena?

O longa é simbolismo puro e há dezenas de cenas que poderiam ser citadas para mostrar isso. Destaco duas que refletem a dor da perda do filho pelo pai, que parece não estar se importando com o fato (apenas parece). Uma delas é a águia comendo o próprio filhote, a outra é o veado que possui metade de um filhote parido e podre preso a seu corpo. Outra cena controversa e que gerou muitas reaçõs é a da raposa falante, de que gostei muito, mas que provocou várias risadas (né?). Entre realidade e ficção, a narrativa que é dividida em capítulos evolui de forma angustiante e sufocante, sem mostrar cenas de terror gore, reservadas apenas ao final. Este é um ponto positivo do longa: ele se mantém no mero terror psicológico; quando as piores cenas chegam às telas, já estamos incomodados há tempos.

Cuidado, alguns SPOILERS. Mais ao final, descobrimos certas verdades que mudam completamente nossa visão sobre o filme; é essa a abordagem pela qual Von Trier foi tão criticado. A um primeiro momento, pela visão do diretor, a mulher em si pode ser comparada ao demônio e levar o nome de Anticristo? Sob uma leitura artificial, sim. Mas há pontos no longa que nos mostram que o vilão da história é o ser humano, e não a mulher. Essa é a principal lição que tiramos da contradição humanidade x natureza, presente em todo o longa. Ao final, com os três animais sorridentes, descobrimos que a maldade vem do ser humano hobbesiano, não da natureza amoral. Contudo, o diretor escolhe retratar a temática pelo foco feminino, o que gerou controvérsias compreensíveis.

Anticristo, assim como outras obras de Lars Von Trier permite múltiplas leituras que não se esgotam em uma única sessão (nem em duas, três ou quatro). Polêmico, simbólico, nu e cru, o filme polarizou opiniões e pode causar asco ou fascínio. De qualquer modo, fica impossível negar a importância de Von Trier para o cinema contemporâneo e o poder deste filme sobre o qual escrevo. Se você aguentar o sufoco, não perca a oportunidade e corra ao cinema!

[Decido esta crítica ao Misawa e à Bia, que me acompanharam nesta aventura de assistir a Anticristo]

UPDATE: Veja também esta interessante postagem do CineButeco, que compara Anticristo a O Iluminado.

33 Comentários

Arquivado em Crítica

33 Respostas para “Crítica: ANTICRISTO (2009)

  1. A sequência de abertura me causou um impacto grande, provavelmente a coisa mais linda que vi este ano no cinema. Não que o filme decline depois dela, mas eu acho que não estava preparado pra tudo aquilo – demorei um tempo pra digeri-lo. E isso sem dúvida é uma qualidade do filme. Como você disse, é um filme para rever muitas vezes e farei isso quando puder, mesmo sabendo que serei bastante incomodado.

    []s!

  2. Belo post Renam. Eu também gostei bastante deste controverso e não menos polêmico filme de Lars von Trier e a ótima atuação da francesa Charlotte Gainsburg. Anticristoo é repleto de surpresas, nem todas agradavéis, é verdade, mas é uma bela ótica do ser humano.

  3. Bia

    Oiii!
    Obrigada pela dedicatória!
    adorei sua crítica, ela me fez perceber algumas coisas que num tinha pensado na hora do filme (o que é dificil de fazer, de tão envolvente!).
    Gostei, apesar de me sentir meio incomodada e estranha de pensar nesse filme, não sei pq!
    beijos

    PS: altas risadas…’The caos reigns”!

  4. cinebuteco

    Oi Renan, obrigado pelo link! Seu blog é muito blog. Está add no meu blog-rool.

    Abs!

  5. cinebuteco

    Só corrigindo: “seu blog é muito bom”

  6. Pingback: Anticristo « CINEBUTECO

  7. Misawa

    Nossa meu!!!! vlw pela dedicatoria!!! Sublime essa obra de arte da mente humana comtemporânea neh?!!!hehehe Eu que nem consigo ver Grey’s Anatomy aguentei o flagelamento das partes íntimas (como diria Tomasetti:ablação do …, ou quase isso). A gnt tem que ve mais dessas masterpieces hein! Sua crítica ficou mtu boa. Como diria seu amigo do inglês: “suas ideias estão bem encadeadas”. Abs!!!

  8. Ótima leitura do filme. Se ainda tinha alguma dúvida se assistiria ou não o filme nos cinemas, a dúvida já não existe.

    Ontem assisti “Se Beber, Não Case!”. Recomendo! Aliás, postei minha opinião sobre o filme no meu blog. Se puder, ficaria feliz de contar com a sua visita.

    Abraço!

  9. danispadotto

    olá, também assisti ao filme e tive a mesma impressão.
    não é à toa que ele o dedica à tarkovski.
    além da fotografia, a meu ver impecável, o que me interessou bastante foi a maneira nada pop de conduzir a trama. o terror psicológico ao qual somos forçados a viver nos coloca em cheque para nós mesmos.
    um dos personagens sendo terapeuta, a representação da natureza como algo próprio do ser humano em contrapartida com a casa, representação da razão, nos dá pistas para onde o filme nos levará.
    outro ponto forte foi o momento em que o personagem de w. defoe se depara com o cervo, que para muitas culturas é o simbolo da luz, do deus sol, da fertilidade e abundancia ( a partir desse momento a narrativa adquire um ritmo diferente).
    já a raposa, reflete, como um espelho, as contradições humanas, ela aparece e “verbaliza” essa tradição em mais um ponto chave da trama. símbolo de fertilidade nas culturas orientais, mas também de histeria e possessão demoníaca. E por fim o corvo, que recentemente ganhou a interpretação de mal agouro e de morte, na china e japão simboliza a gratidão filial e a perspicácia e p o celtas ele é o mensageiro do divino.

    Ademais, a pontuação sobre a igreja, a perseguição das “bruxas” na idade média é tema de grande relevância p a compreensão do filme.
    gostei muito.

    • Cláudio

      Olá. Seu comentário é dos mais interessantes e completos que li sobre o filme “Anticristo”. Poucas críticas que li se arriscaram a interpretar os diversos símbolos enigmáticos que o filme contém (a raposa, o cervo, etc). Bela leitura, parabéns!

  10. “(…)Dedicado a Andrei Tarkovski, o filme traz a aura do cineasta russo: inquietude, desassossego, morbidez, estaticidade, loucura — somos lançados em um tempo mítico em que interno e externo gradualmente se indiferenciam. De fato, o começo e o fim do filme, batizados “prólogo” e “epílogo” pelo artista, imagens poéticas ao som de uma ária de Handel sucedem-se numa outra temporalidade — essa que os conhecedores de “Solaris”, “Nostalghia” e “O Espelho” rapidamente identificarão. Trier, aliás, exibiu “O Espelho” ao casal de atores — de passagem, ambos em forma excepcional — como elemento construtivo dos personagens. Comparar o filme a “O Iluminado”, só porque a protagonista terá um surto histérico, corre o risco de achatar inúmeras sutilezas, perder de vista o terreno mitológico e não notar a diferença brutal de linguagem. Tomem-se os planos da natureza selvagem e eis a aura tarkovskiana: na mesma composição o angelical e o maligno, o vivo e o fúnebre.
    (…)”
    Leia em:
    http://quadradodosloucos.blogspot.com/

  11. Tony

    Eu acabei de assistir e achei uma bosta não por causa das cenas fortes (estilo O Albergue) mas porque não tem nem pé nem cabeça.
    Realmente perdi duas horas da minha vida, mais uma vez…

  12. Ola,

    Notei no blog de vocês que estão falando do filme Anticristo da California Filmes.

    Gostaria se possivel de algum contato para que possamos trabalhar sempre juntos.

    Podemos fazer variadas parcerias promocionais. O que acham?

    Atenciosamente

  13. Kramer

    Realmente, é um filme controverso tenho minhas dúvidas se vou ver ou não, não sei o porquê mas tenho a impressão de que ainda vou demorar para decidir.

  14. CAFar-UFRJ

    Olá, tenho uma pergunta pra voce…Acabei de ver o filme. Realmente o filme tem muitos simbolismos. É um fime simbolista. E conicidentemente no meio do filme tb me deparei relacionando a frase de hobbes ” o homem é o lobo do homem” com o filme. E relacionei isso ao fato de que o que agente mais tem medo é do propio homem. Ele que é o grande mal, só nos aterroriza e gera a bárbarie.

    bom a pergunta é em relação aos simbolismos. Voce não notou uma relação dos símbolos do filme com as histórias bíblicas? A questão dos três mendigos e dos três reis magos. Logo quando ele fala dos reis ele diz: “essa constelação não existe”, relacionando as Três estrelas (Três marias) que são paralelas representando os tres reis magos.

    O final do filme é mto bíblico tb, acho que os 3 animais ali representam alguma coisa…ainda estou destrinchando essas relações…acabei de ver.

    Tem o lance de o filho morrer enquanto eles faziam sexo, e Jesus, nasceu, sem o casal fazer sexo.

    Enfim. o filme me aprece um antítese da estória bíblica. Mendigos e reis, e tudo o mais…enfim…posso ta viajando, é só uma opinião

    • Cláudio

      Oi, ótimas observações, as suas! Não tinha pensado nessa questão da igreja (os reis magos, etc), embora, obviamente, tenha notado no filme.
      Se “descobrir” a simbologia por trás disso, me avise, também estou aqui “quebrando a cabeça” (e eu que achava que os filmes do Bergman e do Luis Buñuel eram os mais enigmáticos…).
      Abraços.

  15. Olá!

    Bom, acho que não é uma viagem, não. O colunista da Ilustrada de segunda-feira da Folha de São Paulo, Luiz Felipe Pondé, fez várias aproximações entre o filme e a teologia, o que realmente nos aproxima da bíblia. Gostei também da comparação entre os três reis e os três mendigos, mas não sei sobre o sexo…

    Esse tipo de filme abre possibilidades para várias leituras, inclusive algumas sobre coisas que nem o diretor pensou, o que é normal!

    Abraços,
    Renan

  16. Marcos Ghabriel

    Achei o filme repleto de uma poesia que horas causa dôr e outras vezes uma compaixão, ódio, enfim, provocativo e que faz pensar em Carl Jung e seus simbolos e Freud com suas ideias acerca da sexualidade. Penso tratar-se de uma obra para ser vista e revista muitas vezes. Só espero que algum oportunista não venha lançar algum livro do tipo “Achando Deus em Anticristo”.
    Abraços!
    M:.G:.

  17. Pingback: Filme da Semana « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

  18. danilo

    que merda de filme, “o ser humano hobbesiano”, ah, vão pro inferno, estudem um puoco de psicanálise pra tentar entender que as coisas não sao tao simples assim e, sobretudo, que a natureza humana é dialética, e não “boa” ou “má”

  19. É impressionante a incapacidade de algumas pessoas para conversar.

    Primeiro, ninguém afirmou com categoria se o ser humano é bom ou mal. Segundo, em diversas vezes deixamos claro a possibilidade de múltiplas interpretações do filme. Terceiro, a psicanálise não é o único ramo do conhecimento humano que possui propriedade para entender a realidade humana. Quarto, se você achou que o filme é impróprio do ponto de vista conceitual, isso não quer dizer que ele seja uma merda de filme. Entre Cinema e ciência (se estamos mesmo falando de ciência…), há um vasto abismo.

    Abraços,
    Renan

  20. aline

    estou com o filme no computador e confessoque estou indecisa sobre assistir ou nao. Lendo as impressoes q mtos aqui tiveram do filme ate me desperta o interesse mas com a citaçao de algumas cenas acho q se eu ver umas cenas mto forte dessas tenho a sensaçao de q aminha vida nao sera mais a mesma e essas cenas ficaram por mto tempo na minha cabeça.

  21. As vezes as pessoas interpretam muito alem do que o cara quis dizer e ficam imaginando explicações pra coisas ruins..esse fime é muito ruim..nao é cult falar que é bom.

  22. Ótimo texto de um fantástico filme.

  23. Muito interessante o filme, repleto de simbolismos e plurisignificados. Acredito que seja necessário um pouco de bagagem e conhecimento para assistir e retirar alguma coisa. Por isso que aparecem alguns comentários do tipo “não entendi nada e o filme é uma droga”.

    Infelizmente algumas pessoas não precisam aprender a ver filmes, e sim, aprender a pensar.

    O texto é ótimo, pensamos parecido em vários momentos. Mas ainda vou assistir mais vezes.

    Parabéns pelo blog e pela crítica.

  24. ruy mascarenhas

    Obra de arte! Mas poucos a entenderam..

    Eu talvez tenha tb entendido errado. Mas penso que o filme mostra dois universos:

    o mundano ( q é o sexo) e o sagrado, o místico

    O esposo, psicólogo da linha cognitiva, ao ter um envolvimento emocional com a sua ‘paciente’, nao conseguiu enxergar q ali o problema era muito mais mundano q místico. E ele se perdeu no processo terapeutico e o foco em cima da sexualidade dela, em função de um elemento novo q surgiu ali pra ele, q foi o místico, a ancestralidade, os ritos e simbolos . Tanto q ele foi se deixando influenciar pelos feitiços, principalmente os sexuais, dela. (toda mulher é um pouco bruxa, misteriosa e enigmática)…
    Ele tb começa a ter medo da floresta, dos ruídos e barulhos da mata. Foi se deixando influenciar pelas crenças dela, e assim, perdeu o foco do processo terapêutico, que nem sequer era pra ter começado, com ele sendo o terapeuta, e ainda por cima da própria esposa.

    Talvez, se ele nao estivesse na floresta, se estivesse na cidade, no urbano, seria provavel q ele iria identificar q o problema dela era a doença do sexo, também chamado de Desejo Sexual Hiperativo (DSH) . Ela me pareceu mesmo ser ninfomaníaca. Ela gostava tanto , q na hora do sexo, deixou o menino pular, apenas olhou, observou, e nada fez, pq o filho para uma mãe q gosta muito do sexo passa a ser o castrador. É o elemento novo, que tira da mulher boa parte do tempo para o sexo e o prazer.

    Mas pode ser também , que ela não fosse uma viciada em sexo, e sim, uma mulher saindo de um quadro obscuro de depressão, e ao se dizer curada, naquele momento, tenha também explodido toda a vida e o transbordamento que o sexo em si traz. E ela vem a celebrar isso, de forma tão intensa, e tb perturbadora.

    Qdo surge um filho para uma mulher é um divisor de aguas; – ou ela vira mãe e dá todo o amor para o seu filho, ou o abandona e o odeia, pq entende que o tempo para o sexo irá diminuir a partir da maternidade.

    Ela era ninfo. Totalmente. Tanto q ela mesmo percebe isso e castra a sí mesma, cortando o seu clitóris.

    Mas como ele estava envolvido emocionalmente, e principalmente, sexualmente com ela, ele nao conseguiu enxergar a verdadeira doença q ela sofria.

    O sexo a dominava mais que tudo, e os rituais q ela escolheu foi a maneira dela mesmo tentar fazer uma própria análise da doença q tinha, mas da maneira dela.
    O psicólogo , ao estrangulá-la , fracassa. O seu ato, mesmo q desesperado e tentando se auto preservar, foi tb a sua ruína. Sendo assim, ele regride para a idade média, com todos seus estudos e preparo sobre a natureza humana. Ressurge a figura do inquisitor, com toda sua incompreensão.

    Enfim, a psicologia falha, e se torna o novo clero.
    ( no final do filme , quando ele vê a imagem de todas aquelas mulheres no campo , q supostamente foram mortas no feminicídio do passado)

    • dani

      Eu já entendi o filme como surreal, e na verdade achei que a mulher não era apenas ninfomaníaca, mas sim um bruxa. Quando ele vê as fotos do filho com as botas trocadas, sinal do sadismo dela, ele percebe que algo sobrenatural está ocorrendo.
      Excelente filme. Dá pra várias interpretações, mas um dia o diretor vai ter que dizer a sua…
      Abs Dani

  25. Ruy,

    mais uma interessante leitura do filme, mas ainda penso que seja perigosa pela demonização da mulher. O reforço desses esteriótipos pode servir de pretexto para a misoginia, algo ainda muito em voga em nossa sociedade. Tentamos negar, mas o machismo ainda vive em alta quando as portas se fecham.

    Diante disso, não acho que Lars Von Trier gostaria de passar essa leitura, mas sim de misantropia, como expus em minha análise.

    Abraços,
    Renan

    • Ruy Mascarenhas

      Renan,

      Concordei com o que vc disse. Realmente demonizar a figura feminina leva a misoginia, mas, apenas para esclarecer, não foi a minha visão da figura feminina no filme. No final do meu texto até digo que o terapeuta falha, e regride, ao matá-la, e depois queimá-la (tal como faziam com as mulheres acusadas de bruxaria no passado).

      Se ela sofria disso,misantropia, também é possível. Uma total aversão a natureza humana, e sua auto flagelação pode ser explicado tb nesta opção. Mas tb fico com a possibilidade de que ela sofria do distúrbio do ‘Desejo Sexual Hiperativo’, ou (DSH).
      Esse filme é muito maneiro porque dá mesmo um nó na cabeça dos mais cabeções…rsss

      abraços

  26. Olá, há algum tempo venho tecendo um diálogo com os textos de pondé no meu blog! Posto um texto a seguir:

    “Pondé e a insustentável banalidade do ser”
    (do blog “criticaparnasiana.blogspot.com”)

    No último texto vimos como Pondé, comentando o pipocão ecologético de James Cameron, acertara na mosca ao enxergar no filme traços de um fundamentalismo ecológico de fundo romântico (que ele chamou, em termos “politicamente” incorretos, de “romantismo para retardados”, o que muito nos alegrou). Contudo, no elogio que teceu ao filme de Lars Von Trier, Pondé escorregou feio no tomate e nos revelou, por assim dizer, a natureza intrinsecamente brega que povoa a alma humana. Acontece que o filme de Lars Von Trier, assim como o filosofar de Pondé, é extremamente pretencioso. Pretensão de autenticidade: assim defino o conceito de “brega” aqui aplicado ao filósofo. E ao filme, é claro. Pois Lars Von Trier, que pelo visto é muito menos astuto do que James Cameron, não percebeu que o cinema autoral morreu – ao menos nos moldes “tarkovskianos” que ele tenta ressuscitar. Insisto nesse ponto: o filme transpira “bregosidade”. Provam isso o hit de música clássica (“lascia chio pianga”, da ópera Rinaldo, de Händel) que já fora utilizado no lamentável “Farinelli” (1994) e os clichês que povoam o filme, como “a casa na floresta” e os “animais falantes”, que “resgatam o conteúdo mítico” (para usar o jargão psicanalítico pós-freudiano) das fábulas e dos contos de fadas. Se fôssemos tolos o suficiente, poderíamos agüir que os três animais mágicos seriam no fundo manifestações arquetípicas. E teríamos muito capim místico para mastigar.
    Além do mais, ainda que não fosse “intrinsecamente” brega, o filme “Anticristo” mereceria, pela própria pretensão, uma análise formal mais cuidadosa. Coisa que Pondé não faz. Em vez disso, faz alusões teológicas muito pouco precisas e por vezes incorretas. Como conciliar a “riqueza teológica” de Agostinho com a pobreza de um comentário como “sua natureza era intrinsecamente má”? Afinal, para Agostinho, como sabem os teólogos, o mal era desprovido de substância (cito: “O mal não possui uma natureza negativa, mas a perda do bem recebeu o nome de mal”, Confissões). Trata-se certamente de um deslize, afinal, Pondé não é intrinsecamente mal e parece ter lido Agostinho melhor do que muita gente. Entretanto, não custa nada recomendar-lhe mais rigor científico (e a ironia contida nessa afirmação é sintomática do próprio posicionamento do “filósofo Daslu” que é Luiz Felipe Pondé).
    Ao tentar voar com asas gigantes, ou seja, ao tentar positivar seu conservadorismo, Pondé expõe seu lado brega e se torna motivo de troça. A inexorabilidade da banalidade é tema do filme satírico “Queime depois de ler” (2008) dos irmãos Cohen. Nesse filme, que não pede nenhum tipo de crítica séria, a idiotice age como uma espécie de conceito teleológico hegeliano, provocando desenlaces patéticos e dissolvendo num mesmo caldo insosso de banalidade todas as motivações que os personagens porventura apresentem. Como uma corte diante de seu bufão, rimos de nós mesmos ao assitir ao filme dos Cohen.
    De resto, transcrevo a seguir frases pretenciosamente “poéticas” do filósofo que, como todos nós, como dizia meu tio, “às vezes põe o do Wando na vitrola”:
    O intróito:
    “Não um jardim do Éden onde a natureza é essa criação romântica sem dor, mas uma escura câmara de terror, cheia de gemidos e solidão.”
    E o Gran Finale:
    “A personagem feminina carrega em si toda a tragédia que é ter sido aquela que pressentiu o hálito do mal no mundo e em si mesma. Façamos silêncio em respeito a ela.”

    Convenhamos: “gemidos e solidão”? “Façamos silêncio em respeito a ela?” Felizmente esse oponente pode mais do que isso… estimo melhoras!

  27. Fábio

    Pior filme que assisti nos últimos 10 anos…😦

  28. Acho que não se pode deixar de falar das relações que o filme tem com o livro do Nietzsche. Estou lendo, agora, e encontro algumas informações que iluminam as intenções do von trier, para mim. Vejo o filme como uma das obras mais magníficas do cinema moderno. é incrível que, após dois anos, eu continue remoendo aquilo tudo.

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