Crítica: SE BEBER, NÃO CASE (2009)

Talvez esta galinha seja o melhor do filme...

Talvez esta galinha seja o melhor do filme...

Fui conferir Se Beber, Não Case já com o pé atrás, afinal, todos estavam falando bem do filme. Quando isso ocorre, mesmo sem ler nenhuma crítica sobre o longa, a gente já percebe a opinião da maioria pelo zumzumzum da blogosfera. E aí fico mais curioso, mas mais exigente. Sucesso de bilheteria nos cinemas norte-americanos, o filme repete o feito no Brasil, contando a história de quatro amigos que vão a Las Vegas para curtir a despedida de solteiro de Doug (Justin Bartha).  A história começa em um ponto em que os três outros amigos simplesmente perderam o noivo, depois de uma noite de bebedeira e amnésia. A partir daí, começa um esforço para encontrar Doug e recuperar certas memórias.

Não tenho muito para falar do filme, que é plano e sem grandes pretensões. A trilha sonora é bem legal, o quarteto está muito afinado entre si, e todos eles possuem um belo timing para comédia. Dá vontade de rir só de olhar para a cara de alguns deles; algumas cenas são realmente engraçadas. Algumas tomadas de humor negro arejam a mania do politicamente correto que corrói a sociedade moderna. Mas e aí? O longa possibilita algumas risadas, mas será que é bom mesmo?

O argumento de que “O que ocorre em Vegas, fica em Vegas” já é bem batido e Se Beber, Não Case não traz muitas inovações em matéria de temática. As situações vividas pelos personagens são possíveis, mas não são verossímeis. Várias tomadas são muito forçadas, a ponto de te fazer torcer o nariz. Guardas dando choques em pessoas na frente de crianças? Aquele mafioso oriental?! Roubar um tigre de Mike Tyson?! Colocaram o lutador no longa para explicar a presença de um tigre no banheiro e acabaram se esquecendo do bom senso. Pode ser implicância, mas cada vez mais gosto de comédias que se pautem na realidade, que nos fazem rir das situações do dia-a-dia. Essas comédias criticam nossa realidade e conseguem tirar gargalhadas de situações que nos pareciam banais. Pequena Miss Sunshine que o diga.

Se Beber, Não Case serve para relaxar na quinta à noite no cinema, mas não justifica o sucesso que encontrou, pois, no fundo, não passa de um pastelão maquiado. Salvo por seus protagonistas, que estão muito bem, o filme se baseia em situações exageradas e que por vezes desafiam nossa inteligência. Que fique claro, para mim, comédia boa é outra história.

PS.: Nos créditos finais há uma sequência de fotos que vale a pena conferir, pois mostram tudo que aconteceu aos protagonistas no período de amnésia. O problema é que a direção não as utilizou direito do ponto de vista técnico. Colcoar algo nos créditos é querer manter a audiência na sala para ver os créditos. O problema é que, neste filme, não dá tempo, pois só conseguimos olhar para as fotos (que nem são tão engraçadas assim…).

Update: Sugiro a todos uma leitura consciente desta postagem da Lola

9 Comentários

Arquivado em Crítica

9 Respostas para “Crítica: SE BEBER, NÃO CASE (2009)

  1. Eu gostei. Principalmente por causa das atuações, ponto fraquíssimo na maioria das comédias. Tem seus pontos fracos, mas o resultado final é agradável.

  2. Pequena Miss Sunshine é muito bom, mas não é uma obra de arte, e sinceramente, eu que não entendo como esse filme foi tão aclamado. Tirando a garotinha e seu avô, o resto do elenco é sem sal e açúcar.

  3. Pequena Miss Sunshine é, a meu ver, uma ótima comédia e um filme ainda melhor. O elenco está afiado sim, ninguém magistral, mas todo mundo segura a barra. Mas o grande trunfo do filme é misturar comédia, drama e crítica social em doses perfeitas.

    Os conflitos dos personagens são sinceros, profundos e refletem a crise dos valores norte-americana. A combe em que a família viaja não passa de uma metáfora da sociedade em que vivemos. Além disso, as cenas de comédia são hilárias, pois retiram seu poder da banalidade do cotidiano, nada perto das situações forçadas que a maioria das comédias nos faz engolir à força. É isso.

    Abraços,
    Renan

  4. Comédias são um troço complicado mesmo… elogiá-las em crítica então fica mais difícil ainda. Pelo que li na blogosfera “Se beber não case” é engraçado e tal, mas dizer que é bom, inovador na proposta aí é outro assunto. Vou esperar chegar em DVD.

  5. Sol

    Vi este filme ontem e sua crítica foi a mais sensata que eu vi. Além disso, concordo plenamente quando vc fala de comédias que envolvam a realidade, e mesmo que simulem uma situação irreal, como o brasileiro “Se eu fosse você” não “desafiam nossa inteligência”!! Parabéns pela crítica!

  6. Pingback: Filme da Semana « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

  7. Foi uma das críticas menos favoráveis que li a respeito do filme. Na verdade não espero nada mais do que uma boa diversão, já que esse tipo de comédia geralmente não me agrada.

  8. Marcela

    Bom, eu fui esperando uma desgraça, já que odeio comédias pastelão, mas, enfim, é melhor que a maioria dos filmes do gênero. Concordo que o ponto forte sejam as atuações, mas que as situações são absolutamente malucas e impossíveis de se acreditar.
    Quem arranca um dente com um alicate?!? Nem uma pessoa extremamente bêbada ou drogada faria algo do gênero. Sem contar o tigre no banheiro, claro.
    É bem o que você falou, Renan: vale pra relaxar, ponto.

  9. Ah, sem essa! O filme é bom pra caralh*!😀

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