33ª Mostra Internacional: A FITA BRANCA

A Fita Branca

A Fita Branca

Ontem assisti também ao grande vencedor do Festival de Cannes deste ano,  A Fita Branca, de Michael Haneke. Deixei para fazer um comentário especial sobre filme porque a produção realmente merece. Aliás, não há como assistir ao longa sem se lembrar da poderosa Hannah Arendt e seu livro Raízes do Totalitarismo, que explora o macro de um universo em que o micro é abordado pela película de Haneke. E este é o principal trunfo do filme, explorar as relações de poder aparentemente mais banais, as da família, em uma vila aparentemente sem expressão, onde moram pessoas aparentemente sem importância. Por trás das aparências e das banalidades, o banho de sangue que marcou a primeira metade do século XX. O longa retrata a vida simples de uma comunidade alemã do começo do século, batizado por Hobsbawn de A Era dos Extremos.

A Fita Branca é um grande incômodo, daqueles que faz você ficar se mexendo na cadeira sem saber direito os “o quês” e os “porquês”. Nada é explícito, nada é vulgar e o mal é tratado com todo o respeito que merece. A pontualidade e a sobriedade da direção de Haneke dão ao filme um tom de tratado sobre a maldade e sobre o totalitarismo, que é sutilmente aproximado da história. A narração anacrônica de um dos personagens envolvidos nos eventos é belíssima e dá o tom solene. A fotografia em preto e branco fecha o círculo.

Não vou me estender demais sobre o longa, prefiro fazê-lo quando estreiar oficialmente no Brasil e mais pessoas puderem assisti-lo. A Fita Branca, assim como O Anticristo, lida com o tema mais espinhoso que envolve a humanidade e dá margem a diversos entendimentos. De qualquer modo, estou embasbacado.

Logo comentarei O Fantástico Sr. Raposo e La Vida Loca.

Até mais!

1 comentário

Arquivado em 33ª Mostra

Uma resposta para “33ª Mostra Internacional: A FITA BRANCA

  1. Marcela

    “Hannah Arendt e seu livro Raízes do Totalitarismo”. Da-lhe Celso Lafer!
    Por sinal, totalmente bizarro, mas eu fui no Unibanco da Augusta, fiquei fuçando na livraria de lá e achei o livro da Arendt! o.O

    [spoiler] Uma das sequências que eu achei mais tocantes no filme foi a do passarinho. Quando o filho pede ao pai se pode ficar com o passarinho e depois quando ele entrega como substituto do outro, que morreu. [/spoiler] Aliás, que Freud se deleitaria com esse filme.

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