Crítica: ATIVIDADE PARANORMAL

Ah, me assusta mais, por favor!

Atividade paranormal é, antes de mais nada, um sucesso de marketing. O filme do diretor estreante Oron Peli custou 15 mil dólares e veio conquistando atenção nos festivais internacionais desde 2007, até ser apadrinhado por Steven Spielberg e conseguir distribuição mundial, o que já lhe rendeu vários milhões de dólares. Com algumas mudanças em relação ao original, o filme nos cinemas investiu pesado em seu trailer, criando uma grande euforia a seu redor. Isso, talvez, tenha sido seu maior erro.

Atividade Paranormal é, também, um bom filme de terror. Não mostra nada explicitamente, não abusa de sangue ou barulhos assustadores, investe em sutilezas como passos, lustres balançando e portas se mexendo sozinhas. Pode parecer estranho falar dessas coisas quando a moda é fazer filmes de terror os mais explicítos possíveis, mas o que assusta de verdade não são monstros gosmentos ou vísceras esvoaçantes, mas sombras por trás de cortinas ao vento. Filmado no modelo câmera de mão (muito bem utilizada, porque nunca nos irritamos com seu balanço), as tomadas investem no que não podemos ver e, com a ajuda de um bom casal de protagonistas (apesar de meio bobinhos), nos fisga exemplarmente.

No entanto, acho que já vi filmes de terror demais na vida. Reconheço as qualidades do longa, algumas pessoas realmente deixaram a sala, mas ele não conseguiu me assustar. Mas acho que também há algumas falhas do longa nesse quesito. A primeira delas é entregar demais no trailer, que denuncia as melhores cenas de susto, exceto por uma delas. A apoteose de sequências assustadoras do trailer assuta mais que o próprio filme, que não engrena em tomadas de tirar o fôlego. Aliás, na sala a que assisti, as reações das pessoas não eram os sustos homéricos que vimos nos trailers. Outra questão é que, apesar da competência em não ser explícito, Atividade Paranormal perde várias oportunidades de aproveitar tomadas e pregar alguns sustos a mais, deixando aquela sensação de que quase tudo já era esperado.

Com A Bruxa de Blair e REC como adversários no formato de filmagem, Atividade Paranormal se revelou um belo exemplar de filme de terror, tão raros em qualidade hoje em dia, mas está longe de ser o melhor da década ou o assombro que prometia. É o poder do marketing, que muito promete ao nos provocar e depois não pode entregar o produto que esperávamos. Continuo esperando o horror que vai me pregar na cadeira…

4 Comentários

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4 Respostas para “Crítica: ATIVIDADE PARANORMAL

  1. Fernando

    Tenho entrado pouco aqui. Vejo tudo pelo RSS. Segue um site que, talvez, você goste.

    Abraços,

    http://starletshowcase.blogspot.com/

  2. Pingback: Filme(s) da Semana « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

  3. Pingback: Os Melhores da Semana (Parte 25) | Os Amorais

  4. Lucas Trevisan

    visceras esvoaçantes… pensei em ‘O massacre da serra elétrica’ ou em algum dos milhares de ‘Premonição’ (ss ou ç?), também nao me assustou muito mais que o trailler… quase sai da sala pq tava de saco cheio… ta faltando algum filme de demônios interessante.. des de ‘o exorcismo de emily rose’ que nao desligo o ‘vhs’ e vou dormir tenso…

    sem mais, att.

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