Arquivo do mês: janeiro 2010

Vencedores DGA Awards 2010

 Na madrugada de ontem foram anunciados os vencedores do Directors Guild of America Awards, o prêmio do sindicato dos diretores, que ocorre na esteira dos prêmios dos sindicatos dos atores e dos produtores. Contando com a presença de Jodie Foster, Carrey Mulligan, Danny Boyle, Sam Worthington, Soe Saldana entre outros para a apresentação da cerimônia, o DGA 2010 polarizou ainda mais a disputa pelo Oscar a ser decidida em março deste ano.

Kathryn Bigelow levou o grande prêmio da noite na categoria de direção de filme em cinema. Como Guerra ao Terror já tinha levado o prêmio dos produtores, o filme se fortalece como a pedra no sapato oficial de Avatar na campanha para a grande estatueta dourada.

Desde 1948, a Academia só divergiu do DGA Awards na entrega do Oscar em seis ocasiões. A grande dúvida que vai sacudir o universo dos cinéfilos até a grande noite do Oscar, quando Avatar certamente tiver se consolidado como o maior fenômeno de bilheteria da história: será que a Academia vai preterir tamanho sucesso em favor de um filme que quase passou despercebido?

Alea jact est, diria um velho conhecido.

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Crítica: AMOR SEM ESCALAS (2009)

Amor Sem Escalas

Ryan Bingham vive nas alturas. No último ano, passou 322 dias viajando de American Air Lines. Esse estilo de vida pouco convencional e que desafia o senso comum lhe rendeu uma existência solitária e inúmeros cartões de preferências de empresas diversas. A nós, rendeu um belo filme de um diretor talentoso que desponta como um dos maiores nomes para os próximos anos.

Amor sem Escalas deve ser lido a partir de seu nome em inglês, Up in the Air, que em tradução livre para o português significa “nas alturas”. Ryan (George Clooney no melhor papel de sua carreira) vive nas alturas, mas vive também em uma época em que o desemprego vai às alturas graças à crise econômica que se fez conhecer nos últimos meses. Ironicamente, Ryan viaja pelo país demitindo pessoas (no filme, na maior parte das cenas, são interpretadas por pessoas que realmente perderam seus empregos) e tentando lidar com elas nos momentos de desespero que seguem à demissão. Sua vida inusitada vai sofrer alguns abalos quando a jovem Natalie (Anna Kendrick, apenas bem) tentar revolucionar o ramo das demissões e ao conhecer Alex, magistralmente interpretada por Vera Farmiga.

A dramédia bem amarrada agrada de todos os lados. O desenvolvimento do roteiro (adaptado de um romance) é inteligente e recheado de diálogos perspicazes e bem construídos. Mesmo nas situações limites, nas quais a história poderia facilmente pender para clichês ou lugares comuns, os desfechos são surpreendentes ou bem desenvolvidos.  A direção precisa de Jason Reitman e a atuação inspirada do trio principal completam o longa que nos mantém presos a essa história pouco comum, o que já é um grande feito.

Mas o que está por trás da filosofia barata de Ryan Bingham?

A modernidade trouxe um medo profundo da solidão. São poucos os seres humanos que conseguem passar algum tempo sozinhos. Falo em permanecer calado, com celulares e computadores desligados, nada de mensagens, telefones ou scraps brilhantes. Somente os sons do silêncio sepulcral. Em uma época de pessoas vazias, estar só é estar mal acompanhado. É melhor se encher de pessoas barulhentas à nossa volta que encarar o espelho do quarto vazio. E, no fundo, na rotina frenética, nem mesmo essas pessoas estarão lá de verdade. Sozinhos na multidão, vivemos nas alturas, longe do mundo real. Na vertigem na impermanência, transformamos nossa vida em uma correria com o único propósito de não pararmos  e encararmos a nós mesmos. Não somos tubarões, Ryan, mas corujas. Ao menos deveríamos sê-lo.

Com um show à parte da soberba Vera Farmiga, Amor Sem Escalas traz ar fresco das alturas e das nuvens das quais aterrisa nos cinemas. Apesar de seu terço final pender para o conservadorismo (assim como Juno, o filme anterior de Reitman), o longa acerta na maior parte de suas proposições e inova no tratamento dado à questão feminina que se desenvolve na trama concernete à Alex. Rápido, preciso, inovativo e simpático, o filme agrada facilmente e traz belas reflexões das mais variadas correntes. Se não estiver passando em sua cidade, pegue um voo, aproveite as alturas e assista no cinema mais próximo.

Ah, e destaque para as legendas nas músicas e para os créditos, nos quais um recém-desempregado oferece sua composição para figurar no filme, o que realmente ocorre. É a música que toca justamente nos créditos finais.

 

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Crítica: Lula – O Filho do Brasil

Lula, o filho de dona Lindu

Lula – O Filho do Brasil se alinha a um gênero biográfico complicado de se realizar, porque escolhe viajar por toda a vida do indivíduo. O nascimento do bebê, a infância difícil, o pai violento, a juventude honesta, o trabalhador, o sindicalista. Na esperança de a tudo retratar, o filme cai na superficialidade. Resta saber se o longa cumpre seu papel de heroicizar Lula da Silva.

Como filme, Lula é fraquíssimo. Apesar da montagem competente que garante nossa vontade de assistir a todo o filme, o longa não empolga em momento algum. São 130 minutos de pasmaceira nos quais somente Glória Pires se destaca como Dona Lindu, mãe de Lula. A direção de arte é pobre e o roteiro é risível. Eu não teria coragem de escrever, muito menos de filmar, uma cena caricata como a de Lula conversando com o investigador do DEOPS. Aquela é uma de várias em que o texto se empobrece ao extremo, as leituras da vida e da história do país são pasteurizadas e as atuações causam vergonha alheia. Se não fossem os conselhos de Dona Lindu, eu teria desistido nessas horas.

Se artisticamente Lula serve apenas de mau exemplo, historica e politicamente todos os temperos foram retirados. Lula repete inúmeras vezes que é não comunista, seu envolvimento com política é mostrado como acaso, o movimento sindical é retratado sem profundidade e o máximo que se lê da ditadura militar são alguns espancamentos de pano de fundo. Nem os discursos de Lula da Silva (com exceção do grande discurso no estádio, uma cena belíssima do filme) tem a força que o transformaram em um grande líder. Na esperança de desligar Lula do estigma de vermelho, criaram um homem sem sal nem açúcar que de heroi pouco tem.

Lula – O Filho do Brasil é sofrível e não repetirá o sucesso de Dois Filhos de Francisco. Não agradará a esquerda por ter desvencilhado o presidente de sua luta ao lado do Partido dos Trabalhadores. Tampouco agradará a classe média peesedebista, que enxerga no filme uma tentativa de criar um mito vivo.  No fim das contas, Lula – O Filho do Brasil não serve a ninguém que não sejam as empreiteras que financiaram sua produção.

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Embasbawards 2010: Maquiagem

Sem grandes segredos, os destaques em Maquiagem nas estreias em 2009 no Brasil:

O Curioso Caso de Benjamin Button – Muitas vezes é difícil separar maquiagem e efeitos especiais em Benjamin Button, mas o trabalho da equipe é tão louvável quanto o de efeitos visuais. A sutileza das composições e o envelhecimento dos atores é magnífico a tal ponto que o longa certamente revolucionou a área. Cate Blanchett irreconhecível na cama do hospital é o ponto alto da categoria.

O Curioso Caso de Benjamin Button

Harry Potter e o Enigma do Príncipe – Apesar das reclamações dos fans sobre o conteúdo do sexto filme da franquia de Harry Potter, o longo trouxe agradáveis surpresas técnicas que renderam uma indicação também a categoria de efeitos visuais do Embasbawards 2010, revelando o aprimoramente da série desde o quinto filme. A maquiagem não fica atrás e merece os louros também.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Arrasta-me para o Inferno – A volta de Sam Raimi, após a direção da franquia de Homem Aranha, para o estilo de filmes que o fez famoso criou um cenário interessante: um diretor conceituado num gênero tradicionalmente ligado ao cinema B. Dessa mistura inusitada saiu um “terrir” com ares de filme independente mas com produção de calibre. Nesse contexto, lembramos o trabalho de maquiagem capaz de criar tomadas realmente nojentas.

Arrasta-me para o inferno

Distrito 9 – Atualizo esta categoria porque quase cometo uma grande injustiça ao deixar Distrito 9 de fora da lista. Agradeço ao Blog Central de Prêmios pelo link sobre a maquiagem do filme, que é realmente impressionante. A caracterização dos aliens e a transformação gradual do protagonista são impecáveis.

Distrito 9

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Vencedores PGA 2010

Producers Guild of America Awards

O Producers Guild Awards é o correspondente ao SAG no campo dos produtores, ou seja, são os prêmios dados a produtores por seus próprios pares. Assim como as demais categorias de sindicatos, é um dos grandes termômetros da corrida do Oscar. Confira os vencedores das categorias de cinema em 2009:

Guerra ao Terror – Kathryn Bigelow, Mark Boal, Nicolas Chartier, Greg Shapiro. A vitória do filme de Kathryn Bigelow coloca lenha na locomotiva e levanta algumas dúvidas sobre a hegemonia de Avatar. O resultado do prêmio do sindicato dos diretores, dia 30 de janeiro, pode cristalizar algumas certezas, se o prêmio for para a diretora, ou bagunçar ainda mais a corrida, se James Cameron levar a melhor. Demais indicados: Avatar, Distrito 9, Educação, Bastardos Inglórios, Invictus, Preciosa, Star Trek, Up – Altas Aventuras, Amor Sem Escalas.

Up  – Altas Aventuras – Jonas Rivera. A categoria de animação está praticamente garantida para a Pixar neste ano mais uma vez. Up é realmente um belíssimo filme, apesar de ser ligeiramente inferiror à Wall-E. Neste ano também está no páreo O Fantástico Senhor Raposo, que guarda a preferência do autor deste blog. Demais indicados: Coraline, O Fantástico Senhor Raposo, 9 – A Salvação, A Princesa e o Sapo.

Logo mais, confira os indicados aos prêmios da cerimônia do sindicato dos diretores, que acontece dia 30 de janeiro.

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Embasbawards 2010: Figurino

Todo ano aparece algum filme de época à la século XVIII ou XIX que abocanha os prêmios de figurino. Acontece que A Duquesa estreiou no Brasil em 2008 e o filme de época desta temporada, Young Victoria, ainda não deu as caras nas terras de cá. Nesse sentido, o Embasbawards  acontece com um vácuo de época na categoria de figurinos.  Tradicionalmente, os filmes que despontam nessa categoria são os que de alguma forma recriam uma época do passado com maestria através de seus guarda-roupas. Confira os destaques do ano de 2009 no Brasil:

O Curioso Caso de Benjamin Button – Tecnicamente brilhante, a singela história de Benjamin Button rendeu um filme visualmente apurado, o que já lhe rendeu uma menção na categoria de efeitos visuais. A competência da equipe se repete nna beleza e na diversidade dos trajes de época.

O Curioso Caso de Benjamin Button

Bastardos Inglórios – O roteiro inteligente e as atuações instigantes nos roubam a atenção, mas o figurino competente dos anos 40 no filme de Quentin Tarantino ajuda muito a ambientação desta vingança histórica dos judeus. Glória a todos os aspectos do longa.

Bastardos Inglórios

À Deriva – O filme brasileiro de Heitor Dhalia merece todos os louros da categoria, considerando as limitações das produções nacionais. O drama familiar investe a fundo na recriação das roupas e acessórios dos anos 80 de um Brasil praieiro, alcançando um visual fantástico e fidedigno.

À Deriva

Milk – A Voz da Igualdade – Retrato fiel da sociedade americana dos anos 1970, o figurino retrô de Milk contribui em muito para a ambientação do longa. Desde as roupas e acessórios mais sutis até as nuances da personalidade de Milk expressas em suas vestimentas, o trabalho de figurino do filme só acrescenta qualidade à trama bem desenvolvida.

Milk - A Voz da Igualdade

Austrália – Austrália pode ser chato e sem conteúdo, mas é visualmente lindo. Fruto da experiência do diretor de Moulin Rouge, o guarda roupa do longa metragem é perfeito na vestimenta de vaqueiros, banqueiros e aristocratas.

Austrália

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Vencedores SAG Awards 2010

“Atores não cavalos em uma corrida.” Atribuída a Fernanda Montenegro

Bastardos Inglórios, o grande vencedor

A cerimônia do SAG Awards foi ainda mais suscinta que o Globo de Ouro, com menos comerciais e mais agilidade na apresentação das categorias. Sem grandes surpresas e com uma grande decepção, o Screen Actors Guild Awards 2010 valeu a pena pela emocionante e hilária homenagem a Betty White, lenda da televisão americana, que fez um dos discursos mais memoráveis das temporadas de premiações ao misturar humor e história da indústria cultural norte-americana. Afinal, Bette White trabalhou no rádio, estreiou quando a televisão estava começando a invadir os lares e fez história também no cinema.

Christoph Waltz levou o prêmio de melhor ator coadjuvante por Bastardos Inglórios, sem grandes surpresas. Levando o prêmio merecido pela performance espetacular de Waltz no longa de Quentin Tarantino, o austríaco venceu Matt Damon, Christopher Plummer, Woody Harrelson e Stanley Tucci.

Por outra categoria previsível, Mo´nique levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante. Apesar de minhas torcidas por Vera Farmiga e seu trabalho surpreendente em Amor Sem Escalas e por Julianne Moore em Direito de Amar, que nem foi indicada ao SAG, há que se reconhecer que Mo´nique faz um trabalho estupendo como a mãe asquerosa de Preciosa. Premiação mais que merecida. As outras concorrentes eram Penelopé Cruz (Nine), Anna Kendrick (Amor Sem Escalas) e Diane Krueger (Bastardos Inglórios).

Na categoria de melhor ator, muito se comentou sobre a performance de George Clooney em Amor Sem Escalas.  Minhas torcidas eram pelo trabalho sublime de Colin Firth em Direito de Amar. No entanto, desde o Globo de Ouro, Jeff Bridges, o vencedor da noite, vem se desenhando como o favorito do ano ao Oscar, no papel que tem sido chamado de “a performance de uma carreira”. Concorriam também Morgan Freeman (Invictus) e Jeremy Renner (Guerra ao Terror).

Curto e grosso, Sandra Bullock levou o prêmio de melhor atriz por O Lado Cego. Parafraseando a genialidade de Fernanda Montenegro, Bullock e Meryl Streep estão literalmente em uma corrida pelo Oscar. As duas empataram no Critics Choice Awards, cada uma levou um Globo de Ouro semana passada e agora Bullock está teoricamente na frente na corrida pela estatueta dourada. Ocorre que Streep não precisaria estar uma corrida deste estilo. Sandra Bullock não fez nenhum milagre interpretativo que não seja trazer dinheiro para os estúdios. A performance brilhante de Streep como Julia Child seria a escolha natural das premiações se fatores externos como dinheiro e sentimentalismo não influenciassem os votantes.

Finalmente, Bastardos Inglórios levou a estatueta de Melhor Elenco, o grande prêmio da noite. Historicamente, o prêmio de melhor elenco no SAG funciona como um prêmio de melhor filme, já que só falamos de atuações. Tanto é assim que no ano passado a vitória de Quem Quer Ser um Milionário? na categoria foi determinada não pelo elenco, mas pelo filme. Em 2010, Bastardos Inglórios leva pelo elenco e pelo filme, o que traz um pouco de holofotes para o longa que tem sido preterido pelas premiações. Um respiro de alívio em um prêmio em que Avatar não concorria em categoria alguma…

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