Crítica: Lula – O Filho do Brasil

Lula, o filho de dona Lindu

Lula – O Filho do Brasil se alinha a um gênero biográfico complicado de se realizar, porque escolhe viajar por toda a vida do indivíduo. O nascimento do bebê, a infância difícil, o pai violento, a juventude honesta, o trabalhador, o sindicalista. Na esperança de a tudo retratar, o filme cai na superficialidade. Resta saber se o longa cumpre seu papel de heroicizar Lula da Silva.

Como filme, Lula é fraquíssimo. Apesar da montagem competente que garante nossa vontade de assistir a todo o filme, o longa não empolga em momento algum. São 130 minutos de pasmaceira nos quais somente Glória Pires se destaca como Dona Lindu, mãe de Lula. A direção de arte é pobre e o roteiro é risível. Eu não teria coragem de escrever, muito menos de filmar, uma cena caricata como a de Lula conversando com o investigador do DEOPS. Aquela é uma de várias em que o texto se empobrece ao extremo, as leituras da vida e da história do país são pasteurizadas e as atuações causam vergonha alheia. Se não fossem os conselhos de Dona Lindu, eu teria desistido nessas horas.

Se artisticamente Lula serve apenas de mau exemplo, historica e politicamente todos os temperos foram retirados. Lula repete inúmeras vezes que é não comunista, seu envolvimento com política é mostrado como acaso, o movimento sindical é retratado sem profundidade e o máximo que se lê da ditadura militar são alguns espancamentos de pano de fundo. Nem os discursos de Lula da Silva (com exceção do grande discurso no estádio, uma cena belíssima do filme) tem a força que o transformaram em um grande líder. Na esperança de desligar Lula do estigma de vermelho, criaram um homem sem sal nem açúcar que de heroi pouco tem.

Lula – O Filho do Brasil é sofrível e não repetirá o sucesso de Dois Filhos de Francisco. Não agradará a esquerda por ter desvencilhado o presidente de sua luta ao lado do Partido dos Trabalhadores. Tampouco agradará a classe média peesedebista, que enxerga no filme uma tentativa de criar um mito vivo.  No fim das contas, Lula – O Filho do Brasil não serve a ninguém que não sejam as empreiteras que financiaram sua produção.

4 Comentários

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4 Respostas para “Crítica: Lula – O Filho do Brasil

  1. Achei Lula bem medíocre, mas por motivos diferentes. Não gosto dessa idéia de santificar certos personagens, o que ocorre quase em todo filme brasileiro. Nesse caso, mais que Lula, é a Dona Lindu a santa da vez. Isso foi o que mais me incomodou. De todo, é um filme médio, para uma sessão descompromissada.

    Abração!

  2. Salvador

    Um filme medíocre de um “cara” que se deu bem. Mas acho que Lula sempre foi um oportunista e sempre fugiu de dar as respostas que o Brasil merecia. Todas as vezes que beirou o escanda-lo disse que foi traído ou não sabia. Quando fomos atacados por Bolívia e Paraguai cedeu com prejuízos aos brasileiros. E a agora com PDH assinou sem ler. Um cara para se esquecer nao para se lembrar

  3. Acho que tentam dá uma visão tão heróica de Lula, que acaba soando superficial e melancólica demais. Juntaram os clichês do nordestino retirante, pobre analfabeto e líder de massas o que resultou num filme chato, monótono e sensacionalista.

  4. Alexsandro,
    realmente, dona Lindu é a caricatura do bem no filme.

    Luis Galvão,
    bom, a vida do Lula é realmente de nordestino pobre, retirante, analfabeto, pobre e líder de massas. O maior problema, a meu ver, é que criaram um lula pasteurizado e sem apelo algum. Junte a isso um filme cheio de apelações sentimentalistas e voilà, Lula – O Filho do Brasil.

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