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I SP TERROR: FESTIVAL INTERNACIONAL [3]

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Hoje na fila do filme havia uma senhora japonesa que garantiu a diversão de todos. Ela segurava um celular ultra-moderno com televisão e narrava o jogo do Brasil com entusiasmo imenso, com direito até a “GOL!” com voz de Gollum. Detalhes à parte, assisti a “Matadores de Vampiras Lésbicas”, um dos filmes mais esperados do ano no círculo dos blogs e dos nerds. E não era para menos: dois jovens amigos são pegos de surpresa em sua viagem ao interior da Inglaterra quando se veem no meio de uma aldeia repleta de vampiras lésbicas sedentas de sangue feminino! O trailer do filme já garantia diversão escrachada, e o filme entregou muito mais!

Buffy que se cuide...

Buffy que se cuide...

Meu lado policamente correto me diz que eu deveria criticar certas piadas, certos machismos e tarará. No entanto, não o farei. Em todos os momentos, fica bem claro que o filme é caricatural e que é feito para um público bem específico, com um humor característico e dirigido aos “nerds” e suas namoradas. Mas não é que o filme legal?! Tem piadas para te deixar rindo o tempo todo, o ritmo é constante e quando o filme acaba deixa aquele gostinho de quero mais. Muito bem feita, esta comédia é uma grande sátira dos elementos de filmes de terror. Vale a pena!

Amanhã tem mais!

PS.: Hoje conversei um pouco com algumas pessoas na fila e troquei impressões sobre “Deixe Ela Entrar”, o que só me confirma a beleza deste filme. Há sutilezas impressionantes, que só uma troca de impressões pode fornecer. “Deixe Ela Entrar” é um dos melhores filmes a que já assisti.

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I SP TERROR: FESTIVAL INTERNACIONAL [2]

Eli não é uma bela vampira?

Eli não é uma bela vampira?

Mais um dia de festival, mais dois filmes para comentar. Uma coisa interessante destes festivais é que muitos filmes chegam por aqui com legendas em inglês, então a legenda em português, feita especialmente para o evento, apararece em um espaço abaixo da tela. É um desafio de coordenação cerebral, porque eu instintivamente lia as legendas em inglês, às vezes baixava os olhos até as em português e tentava compreender o espanhol. Nisso o cerébro tentava se entender com os olhos e ouvidos!

Fora algum atraso no início do primeiro filme que vi hoje, tudo tem transcorrido bem. A equipe do festival tem que dar duro para acertar a projeção digital dos filmes, a fim de que tudo saia bem durante a sessão. O primeiro filme de hoje foi “O Visitante de Inverno”, co-produção Espanha/Argentina, do diretor Sergio Esquenazi. Los Hermanos que me perdoem, mas achei o filme bem fraco. Não por causa da terrível cena final da explosão, mas pelo conjunto da obra mesmo. Atualmente, as plateias de filmes de terror possuem cérebro e senso crítico, já não engolem mais os absurdos que muitas vezes aparecem em filmes mais antigos. E a história não tem nada a acrescentar, nem em matéria de sustos! Mil vezes mais “Os Aparecidos”, de ontem.

Sutileza e sensibilidade

Sutileza e sensibilidade

Mas o segundo, sempre o segundo, compensa tudo. “Deixe Ela Entrar”, o badalado filme norueguês do diretor Thomas Alfredson, conta a história de Oskar, um tímido e sofredor garoto de 12 anos e de Eli, uma meiga garota também de 12 anos, mas há muito mais tempo que Oskar… Eli é uma vampira. Sim, a história é sobre vampirismo. Não, não é a mesma purpurina que “Crepúsculo”. “Deixe Ela Entrar” é um filme metafórico, sensível e, para apreciá-lo, é necessária uma alta dose de alteridade. Isso porque, apesar dos problemas bem reais que Oskar enfrenta na escola, para perceber os dramas da história é preciso despir-se de preconceitos e perceber a beleza por trás da temática vampírica. E é aí que o filme deixa de ser fantasia e nos toca lá no fundo. Por que o vampirismo em questão nada mais é que puro humanismo. Tento, mas não me contenho! A cena em que Oskar observa Eli trocando de roupa e, hmm, o garotinho observa as intimidades da vampira, é memorável. Rápida e cortante, mas memorável porque simboliza todo o dilema sexual que envolve a passagem da infância para a adolescência.

Amanhã tem mais!

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I SP TERROR: FESTIVAL INTERNACIONAL

I SP TERROR

I SP TERROR

É, longo tempo sem postar… Um dia ainda vou normalizar minha vida neste blog. Estou de férias depois de um semestre maluco, de muita correria e agora posso dizer que estou curtindo São Paulo realmente. Tanto é assim que estou acompanhando o I SP TERROR: FESTIVAL INTERNACIONAL FANTÁSTICO.

Os filmes de terror não agradam a todos, é verdade (aliás, filme nenhum agrada a todos), mas não se pode negar que há pérolas do gênero que são clássicos da História do Cinema. Mas não vou citar nenhum aqui, pois vou falar de cinema contemporâneo e de terror! Vou assistir a oito filmes da mostra durante os próximos dias e postarei minhas impressões por aqui. Hoje assisti a dois.

O primeiro foi “36 Passos” (2007), da Argentina e do diretor Adrian Garcia Bogliano. O filme, de baixíssimo orçamento, certamente não terá muitos fãns. Primeiro porque é do estilo gore, cheio de sangue, vísceras e mortes escabrosas. Segundo porque o roteiro é bem maluco, digressivo e fora do comum. Pessoalmente, não me agradou, mais pelo segundo motivo do que pelo primeiro. Há uma série de incoerências na história, a filmagem é precária (e isso não tem nada a ver com o baixo orçamento) e a ideia não é lá muito original. Mas confesso que o filme é bem digressivo, deixando brechas para interpretações mais otimistas que as minhas.

Pablo e Malena

Pablo e Malena

Já o filme “Os Aparecidos” (2008), da Espanha e do diretor Paco Cabezas, valeu a mostra toda. Entrei na sala da Reserva Cultura pensando que ia encontrar mais terror gore e encontrei, na verdade, uma bela história. Em tempos alardeados como escassos de criatividade no Cinema, me alegra assistir a um filme de terror com alto teor dramático e histórico ao tratar de um tema espinhoso: a ditadura militar argentina. Mistura inusitada e surpreendentemente bem realizada. Ar fresco por aí… O filme é muito bom e conta a história de Malena e Pablo, dois irmãos que voltam da Espanha para a Argentina para visitar o pai em coma e decidir se desligam ou não os aparelhos que o mantêm vivo. Após encontrarem um velho diário, os dois são jogados em uma confusão entre passado e presente, e fantasmas da ditadura começam a rondar por aí. A cena em que Malena conversa com uma senhora que sofreu com as torturas do regime militar é de uma densidade dramática indescritível e que tocará qualquer brasileiro que conheça a tenebrosa época por que passamos também em nosso país. Mas melhor ainda é o fim do filme, irônico e destrutivo. Sonhar com um mundo novo a partir de amanhã, 11 de setembro de 2001… Pobre Pablo…

Amanhã tem mais!

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