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Impressões: INTRIGAS DE ESTADO (2009)

Quando as portas se fecham a moral é torta...

Quando as portas se fecham a moral é torta...

Somente agora assisti a Intrigas de Estado, que acabou se revelando um bom filme em matéria de suspense e reflexão. O longa conta com um ritmo estável, de estilo jornalismo investigativo misturado a grandes conspirações políticas. O roteiro e a direção dão conta do recado, o que não é tão fácil nesse estilo de filme já tão saturado. Vá ao cinema com vontade, pois o filme requer bastante atenção graças a trama cheia de informações (mas cá entre nós, todo filme requer atenção…) O maior problema é o final com clima de surpresa não tão surpreendente, que tira a importância da temática e deixa alguns furos inaceitáveis, daqueles que você sai do cinema pensando: “mas tem alguma coisa que não bate!”

O interessante é também notar as questões éticas que são lançadas na exploração do ambiente jornalístico. Furo de reportagem ou preservação da intimidade individual? Ser o primeiro a lançar uma notícia ou investigar sua credibilidade antes de vendê-la? Lucro com sensacionalismo ou ganhar a confiança do leitor com jornalismo bem embasado? Blogs on line ou jornais impressos? Estas indagações, da ordem do dia, são bem mescladas ao ritmo do filme, garantindo entretenimento acima da média. Aliás, uma grande sacada foi a exibição dos créditos finais consonte a imagens da impressão de um jornal em uma grande gráfica. Hoje em dia chovem ideias para segurar as pessoas um pouco mais na sala do cinema e algumas delas são bem interessantes.

O diretor Kevin Macdonald já tinha acertado com O Último Rei da Escócia e, no geral, acerta denovo com Intrigas de Estado, que ainda possui mais um trunfo: o elenco afiado, se esquecermos um pouco o Ben Affleck. As cenas com Helen Mirren são sempre ótimas. Recomendo!

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HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE: pré-estreia e primeiras impressões

E o tempo passa...

E o tempo passa...

Como estou de férias, conferi Harry Potter e o Enigma do Príncipe em Bauru, cidade de 350 mil habitantes. Ocorre que a cidade é um pólo regional e tinha muita gente querendo ver Harry Potter. Contamos com quatro salas exibindo o filme no mesmo cinema e mais duas no outro cinema, um número grande considerando o tamanho da cidade. E por ser pólo da região, todos os fãns de carteirinha vêm pra cá, o que garante um espetáculo à parte do filme. Nem me dei ao trabalho de contar quantas pessoas estavam vestidas com roupas temáticas, quantos seguravam varinhas e vestiam camisetas dos filmes. Tivemos até desfile de fantasias e encomendas de varinhas. Eu mesmo vou comprar a minha. O interessante é que, quando era menor, via essas manifestações com o nariz torcido, mas hoje as aprecio muito. Me divirto com elas e com as pessoas corajosas que enfretam as chacotas e mostram do que gostam! Mas esse clima dificulta um pouco a análise do filme…

HARRY POTTER

Harry e Dumbledore

Algumas manifestações já foram negativas, defendendo que o filme foca demais nos namoricos sem graça dos personagens e não explora algumas questões cruciais. Pode ser verdade, mas só vou fazer uma crítica do filme daqui a alguns dias, depois que o rever. É difícil separar subjetividade e objetividade, porque Harry Potter é um marco na minha vida e na vida de muitas da minha geração. Comecei a ler seus livros com 10 anos, e foram os primeiros que li com real prazer e que me abriram as portas do mundo da literatura, do qual nunca mais saí. Além disso, Harry Potter é uma série que cresceu junto com os leitores, basta comparar a densidade do primeiro com a do sétimo livro. Isso garantiu a fidelidade dos fãns por toda a juventude. Quer um exemplo do contrário? “Desventuras em Série” é uma aventura que não evolui, são treze livros todos infantis. Resumo da ópera: adorava os livros quando tinha 12 anos, mas não consegui terminar de ler a série. Cresci, e os livros ficaram presos ao meu passado. Essa é uma discussão antiga no meio da literatura infanto-juvenil.

Clima de pré-estreia, filmes que acompanharam meu desenvolvimento. Estou embasbacado demais no momento para fazer uma crítica decente, mas prometo que escreverei nos próximos dias. O que posso adiantar? Independente do que dizem os críticos, os fãns adoraram, porque riram e choraram pra valer na sala do cinema. Talvez a pretensa objetividade clínica das críticas de cinema não tenham lá tanto valor…

Sempre torci por esses dois...

Sempre torci por esses dois...

Logo, logo tem mais! Aguardem!

[Atualização] As opiniões estão divididas entre os fãns, a polêmica está solta!

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Impressões: CORALINE E O MUNDO SECRETO

"Vem com o papai no cinema, vem..."

"Vem com o papai no cinema, vem..."

Coraline é a versão cinematográfica da obra de Neil Gaiman, o mesmo que escreveu Stardust, também adaptado para a grande tela. Com excelentes qualidades técnicas e alguns elemtentos reflexivos, o filme tem sido apontado como extremamente atraente tanto para crianças quanto para adultos, o que é um erro.

Coraline é uma menina que não está feliz com sua vida. Ela acabou de se mudar para um condomínio estranho, seus pais são escritores que trabalham muito e não lhe dão atenção e todo mundo vive trocando seu nome por Caroline. Quando a menina descobre uma passagem para outro mundo, sua existência ganha felicidade. Nesta outra realidade, sua mãe cozinha bem, seu pai lhe dá atenção e tudo parece ser melhor, exceto por um detalhe: todos possuem botões pregados no lugar dos olhos.

A técnica utilizada na animação é a de Stop Motion, vulgarmente conhecida como bonequinhos de massinha. Nesse quesito, o filme possui muitos méritos. O modelo de animação é muito bem utilizado e bem feito, demonstrando o conhecimento do diretor Henry Selick. Além disso, o desenho possui um senso estético de primeira qualidade, com cenas muito bonitas, a exemplo do jardim do outro mundo ou do trem de molho no jantar. Mas a mais bela e memorável de todas é a sequência de abertura.

A história é, no mínimo, diferente e interessante. Se pensarmos a fundo, há uma certa simbologia nas situações imaginadas por Gaiman e levadas à tela. Coraline não está contente com sua vida e prefere optar pelo caminho mais fácil da alienação, o outro mundo. Os botões no lugar dos olhos são uma ótima metáfora para a situação. A menina, no entanto, com auxílio de um guru espiritual, o gato, sempre presente na mística das literaturas, consegue vencer os problemas do outro mundo e salvar sua realidade. Desperta de seu sono alienante.

Porém, não podemos esquecer que a animação é feita para crianças (não tão pequenas, há certas passagens assustadoras para os pequeninos) e não para adultos. Existe uma certa aventura na história, mas não o suficiente para empolgar quem está acostumado a assistir as explosões de Hollywood ou os densos dramas para adultos. Acho que a supervalorização de alguns filmes infantis, tomados como um grande programa para adultos também, é superficial. A película pode até não chatear os pais, mas não chegará a ficar na memória.

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Impressões: UM FAZ DE CONTA QUE ACONTECE

Essa coluna se chama Impressões porque não chega a ser uma crítica. Estou bem ocupado nesses dias, assistindo a muitos filmes mais densos que essa história infantil que entrou em cartaz nesta sexta-feira dia 23 de janeiro. Assim, ficam apenas as minhas impressões, algo bem rápido e informal.

Ok, o nome já assusta. Sabemos que muitas traduções de títulos não são traduções, mas a invenção de um novo nome para o filme em português. Às vezes fica melhor, às vezes fica pior. Nesse, caso ficou MUITO pior. Se dependesse do nome, ninguém iria ao cinema, acredite. O Original em inglês cai melhor: Bedtime Stories.

Mas o filme em si serve de passatempo se você desejar acompanhar uma criança ou estiver sem nada para fazer. Não será uma grande diversão, há algumas passagens constrangedoras, mas não é de todo mau. O roteiro tem uma premissa legal, cria algumas piadas inovadoras que garantem algumas (poucas) risadas, mas repete muito a dose de filmes anteriores.

Se for ao cinema só por causa de Adam Sandler, não espere muito. Não sou grande fã de seu tipo de comediante e nesse filme ele não inova seu repertório. As expressões e gestos são conhecidos. Os dois atores mirins até que dão contam do recado, talvez mais por serem uma graça do que por interpretarem alguma coisa. E as mulheres do elenco só estão lá para cumprir o formulário.

E a moral da história? A mesma que já conhecemos. Valorize sua vida, tenha iniciativa, nunca deixe de acreditar (a melhor música do filme repete isso várias vezes). No entanto, há um ponto que me divertiu muito: a sátira às manias politicamente corretas que reinam absolutas hoje em dia. As dietas malucas da mãe das crianças e a referência ao Biodiesel são ótimas!

Entretenimento descompromissado. E olha lá!

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