Oscar 2010 – Curta de Animação: FRENCH ROAST

Depois de uma sugestão inspirada, resolvi comentar e mostrar aos leitores do blog os indicados a curta de animação ao Oscar de 2010. Esse tipo de categoria sempre passa despercebida, uma vez que o grande público não tem acesso e  acaba não se interessando por curta-metragens ou animações do estilo. Não precisa ser assim, pois a maioria desses filmes está disponível no Youtube.

O primeiro indicado a concorrer ao prêmio na noite de 07 de março é Franch Roast (2008), uma animação francesa universal. Não é necessário saber francês para se deliciar com a história instigante e bela, com um final um tanto quanto esperado, mas ainda assim tocante e sincero.  Escrito e dirigido por Fabrice Joubert, além da indicação ao Oscar, a animação venceu o ANIMA – Córdoba Internacional Animation Festival. Aí vai o link para quem quiser conferir:

E, no fim das contas, quem já não se viu numa situação como a do protagonista da animação? Quando aconteceu comigo, sorte que estava acompanhado!

Nos próximos dias, as demais animações. Qual será sua torcida no Oscar?

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Embasbawards 2010: Roteiro Adaptado

Os destaques em roteiro adapatado nas telas brasileiras em 2009:

Deixa Ela Entrar

Deixa Ela Entrar – Dar voz a todas as sutilezas e nuances de uma história tão bela e complexa como a que vemos aqui é uma das proezas do roteiro adaptado de Deixa Ela Entrar. A tensão e a ambiguidade criadas criam uma atmosfera poderosa com a ajuda da direção competente de Tomas Alfredson. É o roteiro e a edição competente que transformam Deixa Ela Entrar na pérola de 2009, uma história de duas leituras.

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O Leitor

O Leitor Alguns de meus colegas blogueiros não apreciaram muito O Leitor. Eu vi o filme como um dos melhores candidatos ao Oscar do ano passado. Baseado em um livro que traz questões humanas profundas que não se resumem à Segunda Guerra Mundial, o roteiro de O Leitor traz à tona conflitos poderosos e dá espaço para que Kate Winslet brilhe na performance que lhe rendeu o Oscar em 2009. Ainda que o filme tenha uma queda de qualidade no terço final, não penso que afete o resultado final da obra.

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Dúvida

Dúvida Baseado na peça de mesmo nome dirigida por John Patrick Shanley, que também esteve à frente do roteiro e da direção do filme, Dúvida tem um roteiro preciso e enigmático que dá toda a força ao filme. Alguns o acusaram de ser excessivamente teatral, o que denuncia suas origens. Pode ser verdade, mas, para mim, não há demérito alguns nas linhas ambíguas que criam diálogos inesquecíveis e uma das maiores dúvidas da história do cinema.

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Frost/Nixon

Frost/Nixon Frost/Nixon também foi lembrado no Embasbawards pela montagem que, em conjunto com o roteiro competente, dá uma força descomunal ao longa. Baseado também em uma peça e em um argumento que poderia tornar-se enfandonho, o roteiro não desliza na precisão e mantém o ritmo no duelo entre Frost e Nixon, tão memorável quanto a disputa entre Irmã Aloysius e Padre Flynn em Dúvida.

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Quem Quer Ser um Milionário?

Quem Quer Ser um Milionário? – Uma história simples que, graças ao trio direção-roteiro-montagem competente, cativou milhões ao redor do mundo e rendeu oito Oscar ao filme. Apesar de achar o argumento de Quem Quer Ser um Milionário? conservador e enganoso, isso não tira os méritos do roteiro bem escrito e ritmicamente intenso.


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Indicados ao Oscar 2010: Lista Completa

Indicados às principais categorias, apresentação de Anne Hathaway e do presidente da Academia.

Leia os comentários aqui

Melhor filme
“Avatar”
“The Blind Sinde”
“Distrito 9”
“Educação”
“Guerra ao Teror”
“Bastados Ingflórios”
“Preciosa”
“Um Homem Sério”
“Up – Altas Aventuras”
“Amor Sem Escalas”

Melhor diretor
James Cameron, “Avatar”
Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror”
Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios”
Lee Daniels, “Preciosa”
Jason Reitman, “Amor Sem Escalas”

Melhor ator
Jeff Bridges, “Crazy Heart”
George Clooney, “Amor Sem Escalas”
Colin Firth, “A Single Man”
Morgan Freeman, “Invictus”
Jeremy Rennet, “Guerra ao Terror”

Melhor atriz
Sandra Bullock, “The Blind Side”
Helen Mirren, “The Last Station”
Carey Mulligan, “Educação”
Gabourey Sidibe, “Preciosa”
Meryl Streep, “Julie & Julia”

Melhor ator coadjuvante
Matt Damon, “Invictus”
Woody Harrelson, “The Messenger”
Christopher Plummer, “The Last Station”
Stanley Tucci, “Um Olhar do Paraíso”
Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”

Melhor atriz coadjuvante
Penelope Cruz, “Nine”
Vera Farmiga, “Amor Sem Escalas”
Maggi, “Crazy Heart”
Anna Kendrick, “Amor Sem Escalas”
Mo’Nique, “Preciosa”

Melhor animação
“O Fantástico Sr. Raposo”
“Coraline e o Mundo Secreto”
“Up – Altas Aventuras”
“A Princesa e o Sapo”
“The Secret of Kells”

Melhor roteiro original
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“The Messenger”
“Um Homem Sério”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor roteiro adaptado
“Distrito 9”
“Educação”
“In the Loop”
“Preciosa”
“Amor Sem Escalas”

Melhor filme estrangeiro
“Teta Assustada”, Peru
“A Fita Branca”, Alemanha
“O Profeta”, França
“Ajami”, Israel
“O Segredo de Seus Olhos”, Argentina

Melhor direção de arte
“Avatar”
“O Imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“Sherlock Holmes”
“A Jovem Victoria”

Melhor fotografia
“Avatar”
“Harry Potter e o Enigma do Príncipe”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“A Fita Branca”

Melhor figurino
“Brilho de uma Paixão”
“Coco Antes de Chanel”
“O Imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“A Jovem Victoria”

Melhor edição
“Avatar”
“Distrito 9”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Preciosa”

Melhor maquiagem
“Il Divo”
“Star Trek”
“A Jovem Victoria”

Melhor trilha sonora
“Avatar”
“O Fantástico Sr. Raposo”
“Guerra ao Terror”
“Sherlock Holmes”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor canção original
“A Princesa e o Sapo”, com “Almost There”
“A Princesa e o Sapo”, com “Down in New Orleans”
“Paris 36”, com “Loin de Paname”
“Nine”, com “Take It All”
“Crazy Heart”, com “The Weary Kind”

Melhor documentário de longa-metragem
“Burma VJ”
“The Cove”
“Food, Inc”
“The Most Dangerous Man in America”
“Which Way Home”

Melhor documentário de curta-metragem
“China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province”
“The Last Campaign of Governor Booth Dardner”
“Music by Prudence”
“Rabbit à la Berlin”

Melhor curta-metragem de animação
“French Roast”
“Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty”
“The Lady and the Reaper”
“Logorama”
“A Matter of Loaf and Death”

Melhor curta-metragem
“The Door”
“Instead of Abracadabra”
“Kavi”
“Miracle Fish”
“The New Tenants”

Melhor edição de som
“Avatar”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Star Trek”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor mixagem de som
“Avatar”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Star Trek”
“Transformers – A Vingança dos Derrotados”

Melhores efeitos visuais
“Avatar”
“Distrito 9”
“Star Trek”

Em breve, uma postagem completa sobra as indicações da Academia. Até lá!

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Indicados ao Oscar 2010 (Ao Vivo)

Os indicados a melhor filme, com algumas surpresas:

Avatar

O Lado Cego

Distrito 9

Educação

Bastardos Inglórios

Guerra ao Terror

Preciosa

Um Homem Sério

Up – Altas Aventuras

Amor Sem Escalas

As indicações de Avatar e Guerra ao Terror já eram esperadas e os dois filmes são as grandes apostas e a grande indecisão quanto ao prêmio de melhor filme deste ano. Com as vitórias do segundo nos prêmios dos sindicatos e a avalanche de bilheteria do primeiro, ninguém sabe o lado que a Academia vai tomar. Também eram esperados na lista Amor Sem Escalas, Bastardos Inglórios, Educação e Preciosa. Surpresas no aparecimento de Distrito 9 e do fraquíssimo filme que rendeu a indicação de melhor atriz a Sandra Bullock, O Lado Cego. A indicação de Up – Altas Aventuras de certa forma já era esperada e vem para corrigir a falha histórica de animações da Pixar ficarem de fora da categoria principal.

Uma surpresa nas categorias de atuação.

Melhor Atriz: Sandra Bullock, Helen Mirren, C arrey Mulligan, Gabourey Sidibe e Meryl Streep.

Melhor Ator: Jeff Bridges, George Clooney, Colin Firth, Morgan Freeman, Jeremy Renner.

Melhor Atriz Coadjuvante: Penelope Cruz, Vera Farmiga, Mo´nique, Anna Kendrick e Maggie Gyllenhaal (surpresa!)

Melhor Ator Coadjuvante: Matt Damon, Christopher Plummer, Woody Harrelson, Stanley Tucci, Christoph Waltz.

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Embasbawards 2010: Montagem

A categoria de montagem é uma das mais importantes de qualquer premiação, pois abrange um seguimento da arte cinematográfica que lhe único e determinante, acabando por levar um filme à glória ou ao fracasso. Abraços Partidos,  ao se utilizar de metalinguagem, bem o demonstra com o filme Chicas e Malenas. A montagem é uma das principais características que individualiza o cinema enquanto arte. O Embasbacado se lembra dos grande trabalhos de 2009:

Quem Quer Ser um Milionário?

Quem Quer Ser um Milionário? – O filme de Danny Boyle pode ser conservador ao extremo, mas sua forma de contar a história certamente determinou o sucesso de Quem Quer Ser um Milionário? Recheado de indas e vindas no tempo, diluídas perfeitamente no tempo presente, Boyle nos entrega um ritmo frenético com todas as pontas bem amarradas. Ao final, tudo se encaixa e a imersão é completa.

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Bastardos Inglórios

Bastardos Inglórios – Apesar dos diálogos irônicos e lapidados que sempre permeiam os filmes de Quentin Tarantino, nem só de diálogos é feito um filme. O conjunto da obra de Bastardos Inglórios atinge tamanha qualidade graças à orquestragem dos elementos que Tarantino tem às mãos: as palavras, o silêncio e subversão da história. Tenazmente editados, criaram um dos melhores filmes de 2009.

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Deixa Ela Entrar

Deixa Ela Entrar – A pérola de 2009 não poderia deixar de figurar nesta categoria. Não se engane com as sutilezas do roteiro ou com a plasticidade das imagens: cada quadro está em cena por um motivo e cada cena transmite algo importante para a montagem desse enigma sombrio que é Deixa Ela Entrar. A edição é tão competente que molda com perfeição a ambiguidade do roteiro: sob ângulos diversos, o filme pode ser uma linda histária de amor, amizade e alteridade ou uma fábula sombria de dominação e submissão.

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Frost/Nixon

Frost/NixonPode não parecer, mas Frost/Nixon é um filme de ritmo intenso e grande parte de sua força vem da edição competente das batalhas verbais entre Frost e Nixon. Não fosse pelo trabalho competente da montagem, o roteiro afiado poderia facilmente tornar-se enfadonho.

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O Anticristo

O Anticristo – Polêmico e sombrio. Ambiguo e impactante. O simbolismo da película de Lars Von Trier se intensifica com a sucessão competente de imagens e situações que, em conjunto, formam a mensagem maior da obra, qualquer que seja ela aos olhos de quem assiste. A edição aqui é responsável por dar forma aos signos e criar um crescendo de medo e angústia que explode no terço final, provocando asco ou catarse. E por que não ambos?

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Vencedores DGA Awards 2010

 Na madrugada de ontem foram anunciados os vencedores do Directors Guild of America Awards, o prêmio do sindicato dos diretores, que ocorre na esteira dos prêmios dos sindicatos dos atores e dos produtores. Contando com a presença de Jodie Foster, Carrey Mulligan, Danny Boyle, Sam Worthington, Soe Saldana entre outros para a apresentação da cerimônia, o DGA 2010 polarizou ainda mais a disputa pelo Oscar a ser decidida em março deste ano.

Kathryn Bigelow levou o grande prêmio da noite na categoria de direção de filme em cinema. Como Guerra ao Terror já tinha levado o prêmio dos produtores, o filme se fortalece como a pedra no sapato oficial de Avatar na campanha para a grande estatueta dourada.

Desde 1948, a Academia só divergiu do DGA Awards na entrega do Oscar em seis ocasiões. A grande dúvida que vai sacudir o universo dos cinéfilos até a grande noite do Oscar, quando Avatar certamente tiver se consolidado como o maior fenômeno de bilheteria da história: será que a Academia vai preterir tamanho sucesso em favor de um filme que quase passou despercebido?

Alea jact est, diria um velho conhecido.

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Crítica: AMOR SEM ESCALAS (2009)

Amor Sem Escalas

Ryan Bingham vive nas alturas. No último ano, passou 322 dias viajando de American Air Lines. Esse estilo de vida pouco convencional e que desafia o senso comum lhe rendeu uma existência solitária e inúmeros cartões de preferências de empresas diversas. A nós, rendeu um belo filme de um diretor talentoso que desponta como um dos maiores nomes para os próximos anos.

Amor sem Escalas deve ser lido a partir de seu nome em inglês, Up in the Air, que em tradução livre para o português significa “nas alturas”. Ryan (George Clooney no melhor papel de sua carreira) vive nas alturas, mas vive também em uma época em que o desemprego vai às alturas graças à crise econômica que se fez conhecer nos últimos meses. Ironicamente, Ryan viaja pelo país demitindo pessoas (no filme, na maior parte das cenas, são interpretadas por pessoas que realmente perderam seus empregos) e tentando lidar com elas nos momentos de desespero que seguem à demissão. Sua vida inusitada vai sofrer alguns abalos quando a jovem Natalie (Anna Kendrick, apenas bem) tentar revolucionar o ramo das demissões e ao conhecer Alex, magistralmente interpretada por Vera Farmiga.

A dramédia bem amarrada agrada de todos os lados. O desenvolvimento do roteiro (adaptado de um romance) é inteligente e recheado de diálogos perspicazes e bem construídos. Mesmo nas situações limites, nas quais a história poderia facilmente pender para clichês ou lugares comuns, os desfechos são surpreendentes ou bem desenvolvidos.  A direção precisa de Jason Reitman e a atuação inspirada do trio principal completam o longa que nos mantém presos a essa história pouco comum, o que já é um grande feito.

Mas o que está por trás da filosofia barata de Ryan Bingham?

A modernidade trouxe um medo profundo da solidão. São poucos os seres humanos que conseguem passar algum tempo sozinhos. Falo em permanecer calado, com celulares e computadores desligados, nada de mensagens, telefones ou scraps brilhantes. Somente os sons do silêncio sepulcral. Em uma época de pessoas vazias, estar só é estar mal acompanhado. É melhor se encher de pessoas barulhentas à nossa volta que encarar o espelho do quarto vazio. E, no fundo, na rotina frenética, nem mesmo essas pessoas estarão lá de verdade. Sozinhos na multidão, vivemos nas alturas, longe do mundo real. Na vertigem na impermanência, transformamos nossa vida em uma correria com o único propósito de não pararmos  e encararmos a nós mesmos. Não somos tubarões, Ryan, mas corujas. Ao menos deveríamos sê-lo.

Com um show à parte da soberba Vera Farmiga, Amor Sem Escalas traz ar fresco das alturas e das nuvens das quais aterrisa nos cinemas. Apesar de seu terço final pender para o conservadorismo (assim como Juno, o filme anterior de Reitman), o longa acerta na maior parte de suas proposições e inova no tratamento dado à questão feminina que se desenvolve na trama concernete à Alex. Rápido, preciso, inovativo e simpático, o filme agrada facilmente e traz belas reflexões das mais variadas correntes. Se não estiver passando em sua cidade, pegue um voo, aproveite as alturas e assista no cinema mais próximo.

Ah, e destaque para as legendas nas músicas e para os créditos, nos quais um recém-desempregado oferece sua composição para figurar no filme, o que realmente ocorre. É a música que toca justamente nos créditos finais.

 

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