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Crítica: GUERRA AO TERROR (2008)

Guerra ao Terror

Será possível que um expectador, sentado em um sofá ou em uma cadeira de cinema, provavelmente comendo pipoca e tomando coca-cola, será possível que consiga apreender o terror de uma guerra? Pode uma sucessão de imagens gravada por uma câmera nos fazer sentir a brutalidade do campo de batalha? E será possível que o enquadramento e a abordagem pretensamente neutra da guerra sejam, na verdade, um grito de socorro? Em um momento extremamente inspirado, Kathryn Bigelow mostra que por trás do deserto monocromático, a resposta para essas perguntas tem nuances que Guerra ao Terror aborda com maestria.

O longa vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2010 aborda uma das faces da guerra no Iraque e ganha pontos ao não se esquecer da dimensão humana da tragédia. JT Sanborn (Anthony Mackie), Brian Geraghty (Owen Eldridge) e Matt Thompson (Guy Pearce) integram um esquadrão anti-bombas do exército americano que atua no país e representam bem o impacto que a guerra, como realidade total, causa nos indivíduos. Ao fim do filme, a frase de abertura ganha sua maior dimensão em face das atitudes do intrigante personagem de Jeremy Renner, enviado para substituir Thompson logo no inicío na película. O poder da guerra, e suas consequências inevitáveis, são claros na vida desses homens que, mesmo fora do campo de batalha, não conseguem senão jogar jogos de carnificina ou divertir-se lutando.

Esses soldados vivem presos em um jogo de gato e rato em que não se conhecem os gatos e os ratos. Desconfia-se de todos e, na verdade, não se sabe quem é o inimigo. Que empatia pode haver entre o povo iraquiano e esses soldados? Os verdadeiros gatos estão longe do Iraque e os peões da guerra, sem que percebam, tampouco passam de ratos no tabuleiro.

A abordagem dessas questões poderia ser pobre não fosse o talento de Bigelow ao conduzir o longa. O enquadramento preciso, a fotografia impactante (que, aliás, tira seu poder da simplicidade) e edição de som competente criam um clima de tensão que dura do começo ao fim. Bigelow não precisa de ação frenética ou sangue e vísceras esvoaçantes, mas retira essa tensão do medo latente das balas que podem chegar a qualquer momento. Um momento inesquecível que, para mim, é a melhor sequência do filme, se passa no deserto, enquanto Sanborn e James (Renner) esperam imóveis para conseguir a mira certeira do inimigo. Em um filme de guerra, o mais poderoso dos frenesis surge de moscas e saquinhos de suco.

É inocência em demasia pensar que Bigelow dirigiu um filme neutro apenas por causa do pretenso distanciamento criado pela técnica que permeia o longa. Algumas das consequências da guerra, mostradas principalmente nas figuras dos jovens soldados, denunciam a posição que está por trás de Guerra ao Terror. E, diante de certas irracionalidades, não há como ser diferente. Eis, portanto, um filme digno de Oscar. Só não me perguntem se é melhor que Bastardos Inglórios.

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Embasbawards 2010: Ator Coadjuvante

As grandes performances de 2009 na categoria:

Christoph Waltz

Christoph Waltz, por Bastardos Inglórios. Waltz fez um trabalho primoroso dando vida ao Coronel Hans Landa, que já lhe rendeu todos os prêmios da temporada e lhe dará  Oscar dia 07 de março. Impecável nos movimentos, sarcástico na voz, Waltz oscila com perfeição entre a caricatura e a seriedade, dando ao personagem tudo de que o filme precisava.

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Philip Seymour Hoffman

Philip Seymour Hoffman, por Dúvida. Desde Capote, Hoffman conseguiu superar a alcunha de coadjuvante de luxo, entregando belos trabalhos nas categorias principais, como recentemente em Sinédoque, Nova York. Em Dúvida, Hoffman volta ao papel de coadjuvante ao embrenhar-se num duelo de excelência com Meryl Streep. Com a dúvida central do longa girando ao redor de Padre Flynn, só um mestre poderia dar ao personagem a ambiguidade necessária para a manutenção do clima do filme.

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Stanley Tucci

Stanley Tucci, por Julie&Julia. Coadjuvante de luxo da vez, Stanley Tucci vem chamando a atenção desde O Diabo Veste Prada e em Julie&Julia repete a parceria de sucesso com Meryl Streep. Leve e preciso, Stanley é lembrado pelo Embasbawards também pelo conjunto de sua obra.

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Michael Shannon

Michael Shannon, por Foi Apenas um Sonho. Shannon aparece pouco em Foi Apenas um Sonho, mas surpreende pela profundidade em que representa um doente mental oscilando na tênue linha entre consciência e crise. Sua cena fulcral, apesar de um tanto forçada pelo roteiro, dá espaço para que o ator brilhe em seu papel e tire o ar da audiência, que só respira novamente quando ele sai de cena.

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Alan Rickman

Alan Rickman, por Harry Potter e o Enigma do Princípe. Alan Rickman vem fazendo um grande trabalho na série de Harry Potter, na qual dá vida ao mais complexo dos personagens de toda a trama. Em O Enigma do Princípe, apesar da audiência não saber,  Snape enfrenta um dos maiores dilemas morais de sua vida atribulada, o que transparece com maestria nas expressões sombrias e pesadas do personagem.

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Embasbawards 2010: Montagem

A categoria de montagem é uma das mais importantes de qualquer premiação, pois abrange um seguimento da arte cinematográfica que lhe único e determinante, acabando por levar um filme à glória ou ao fracasso. Abraços Partidos,  ao se utilizar de metalinguagem, bem o demonstra com o filme Chicas e Malenas. A montagem é uma das principais características que individualiza o cinema enquanto arte. O Embasbacado se lembra dos grande trabalhos de 2009:

Quem Quer Ser um Milionário?

Quem Quer Ser um Milionário? – O filme de Danny Boyle pode ser conservador ao extremo, mas sua forma de contar a história certamente determinou o sucesso de Quem Quer Ser um Milionário? Recheado de indas e vindas no tempo, diluídas perfeitamente no tempo presente, Boyle nos entrega um ritmo frenético com todas as pontas bem amarradas. Ao final, tudo se encaixa e a imersão é completa.

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Bastardos Inglórios

Bastardos Inglórios – Apesar dos diálogos irônicos e lapidados que sempre permeiam os filmes de Quentin Tarantino, nem só de diálogos é feito um filme. O conjunto da obra de Bastardos Inglórios atinge tamanha qualidade graças à orquestragem dos elementos que Tarantino tem às mãos: as palavras, o silêncio e subversão da história. Tenazmente editados, criaram um dos melhores filmes de 2009.

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Deixa Ela Entrar

Deixa Ela Entrar – A pérola de 2009 não poderia deixar de figurar nesta categoria. Não se engane com as sutilezas do roteiro ou com a plasticidade das imagens: cada quadro está em cena por um motivo e cada cena transmite algo importante para a montagem desse enigma sombrio que é Deixa Ela Entrar. A edição é tão competente que molda com perfeição a ambiguidade do roteiro: sob ângulos diversos, o filme pode ser uma linda histária de amor, amizade e alteridade ou uma fábula sombria de dominação e submissão.

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Frost/Nixon

Frost/NixonPode não parecer, mas Frost/Nixon é um filme de ritmo intenso e grande parte de sua força vem da edição competente das batalhas verbais entre Frost e Nixon. Não fosse pelo trabalho competente da montagem, o roteiro afiado poderia facilmente tornar-se enfadonho.

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O Anticristo

O Anticristo – Polêmico e sombrio. Ambiguo e impactante. O simbolismo da película de Lars Von Trier se intensifica com a sucessão competente de imagens e situações que, em conjunto, formam a mensagem maior da obra, qualquer que seja ela aos olhos de quem assiste. A edição aqui é responsável por dar forma aos signos e criar um crescendo de medo e angústia que explode no terço final, provocando asco ou catarse. E por que não ambos?

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Embasbawards 2010: Figurino

Todo ano aparece algum filme de época à la século XVIII ou XIX que abocanha os prêmios de figurino. Acontece que A Duquesa estreiou no Brasil em 2008 e o filme de época desta temporada, Young Victoria, ainda não deu as caras nas terras de cá. Nesse sentido, o Embasbawards  acontece com um vácuo de época na categoria de figurinos.  Tradicionalmente, os filmes que despontam nessa categoria são os que de alguma forma recriam uma época do passado com maestria através de seus guarda-roupas. Confira os destaques do ano de 2009 no Brasil:

O Curioso Caso de Benjamin Button – Tecnicamente brilhante, a singela história de Benjamin Button rendeu um filme visualmente apurado, o que já lhe rendeu uma menção na categoria de efeitos visuais. A competência da equipe se repete nna beleza e na diversidade dos trajes de época.

O Curioso Caso de Benjamin Button

Bastardos Inglórios – O roteiro inteligente e as atuações instigantes nos roubam a atenção, mas o figurino competente dos anos 40 no filme de Quentin Tarantino ajuda muito a ambientação desta vingança histórica dos judeus. Glória a todos os aspectos do longa.

Bastardos Inglórios

À Deriva – O filme brasileiro de Heitor Dhalia merece todos os louros da categoria, considerando as limitações das produções nacionais. O drama familiar investe a fundo na recriação das roupas e acessórios dos anos 80 de um Brasil praieiro, alcançando um visual fantástico e fidedigno.

À Deriva

Milk – A Voz da Igualdade – Retrato fiel da sociedade americana dos anos 1970, o figurino retrô de Milk contribui em muito para a ambientação do longa. Desde as roupas e acessórios mais sutis até as nuances da personalidade de Milk expressas em suas vestimentas, o trabalho de figurino do filme só acrescenta qualidade à trama bem desenvolvida.

Milk - A Voz da Igualdade

Austrália – Austrália pode ser chato e sem conteúdo, mas é visualmente lindo. Fruto da experiência do diretor de Moulin Rouge, o guarda roupa do longa metragem é perfeito na vestimenta de vaqueiros, banqueiros e aristocratas.

Austrália

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Vencedores SAG Awards 2010

“Atores não cavalos em uma corrida.” Atribuída a Fernanda Montenegro

Bastardos Inglórios, o grande vencedor

A cerimônia do SAG Awards foi ainda mais suscinta que o Globo de Ouro, com menos comerciais e mais agilidade na apresentação das categorias. Sem grandes surpresas e com uma grande decepção, o Screen Actors Guild Awards 2010 valeu a pena pela emocionante e hilária homenagem a Betty White, lenda da televisão americana, que fez um dos discursos mais memoráveis das temporadas de premiações ao misturar humor e história da indústria cultural norte-americana. Afinal, Bette White trabalhou no rádio, estreiou quando a televisão estava começando a invadir os lares e fez história também no cinema.

Christoph Waltz levou o prêmio de melhor ator coadjuvante por Bastardos Inglórios, sem grandes surpresas. Levando o prêmio merecido pela performance espetacular de Waltz no longa de Quentin Tarantino, o austríaco venceu Matt Damon, Christopher Plummer, Woody Harrelson e Stanley Tucci.

Por outra categoria previsível, Mo´nique levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante. Apesar de minhas torcidas por Vera Farmiga e seu trabalho surpreendente em Amor Sem Escalas e por Julianne Moore em Direito de Amar, que nem foi indicada ao SAG, há que se reconhecer que Mo´nique faz um trabalho estupendo como a mãe asquerosa de Preciosa. Premiação mais que merecida. As outras concorrentes eram Penelopé Cruz (Nine), Anna Kendrick (Amor Sem Escalas) e Diane Krueger (Bastardos Inglórios).

Na categoria de melhor ator, muito se comentou sobre a performance de George Clooney em Amor Sem Escalas.  Minhas torcidas eram pelo trabalho sublime de Colin Firth em Direito de Amar. No entanto, desde o Globo de Ouro, Jeff Bridges, o vencedor da noite, vem se desenhando como o favorito do ano ao Oscar, no papel que tem sido chamado de “a performance de uma carreira”. Concorriam também Morgan Freeman (Invictus) e Jeremy Renner (Guerra ao Terror).

Curto e grosso, Sandra Bullock levou o prêmio de melhor atriz por O Lado Cego. Parafraseando a genialidade de Fernanda Montenegro, Bullock e Meryl Streep estão literalmente em uma corrida pelo Oscar. As duas empataram no Critics Choice Awards, cada uma levou um Globo de Ouro semana passada e agora Bullock está teoricamente na frente na corrida pela estatueta dourada. Ocorre que Streep não precisaria estar uma corrida deste estilo. Sandra Bullock não fez nenhum milagre interpretativo que não seja trazer dinheiro para os estúdios. A performance brilhante de Streep como Julia Child seria a escolha natural das premiações se fatores externos como dinheiro e sentimentalismo não influenciassem os votantes.

Finalmente, Bastardos Inglórios levou a estatueta de Melhor Elenco, o grande prêmio da noite. Historicamente, o prêmio de melhor elenco no SAG funciona como um prêmio de melhor filme, já que só falamos de atuações. Tanto é assim que no ano passado a vitória de Quem Quer Ser um Milionário? na categoria foi determinada não pelo elenco, mas pelo filme. Em 2010, Bastardos Inglórios leva pelo elenco e pelo filme, o que traz um pouco de holofotes para o longa que tem sido preterido pelas premiações. Um respiro de alívio em um prêmio em que Avatar não concorria em categoria alguma…

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Vencedores Globo de Ouro 2010

Meryl Streep rumo ao terceiro Oscar

De volta ao Brasil, a felicidade de escrever em uma língua de acentos e cedilha. Gostaria de ter feito uma cobertura do Globo de Ouro ao vivo, como fiz com o Oscar ano passado e que foi um sucesso. Entretanto, a cerimônia aconteceu no mesmo dia em que cheguei de viagem e nem estava em minha casa. Agora que estou colocando a vida em ordem, apesar de um certo atraso, vou fazer alguns comentários sobre as estatuetas do último domingo, enquanto aguardamos ansiosos pelos resultados nos prêmios dos sindicatos e do Oscar. E neste sábado, dia 23 de janeiro, SAG Awards.

Logo mais também começa o Embasbawards, o prêmio deste blog para os melhores filmes que estreiaram nas salas brasileiras em 2009.

A cerimônia do Globo de Ouro é mais curta que o Oscar, sem muitas enrolações e com discursos mais curtos. Mas é mais cansativa, porque é mais tradicional e sem muitas inovações. E o apresentador não era dos mais engraçados apesar da fama nos Estados Unidos. A seguir, as principais categorias  comentadas:

Melhor Animação Up – Altas Aventuras. A Pixar vem se aprimorando a cada ano e dominando as premiações nas categorias de animação. Em 2008, o estúdio realizou o 2001 do mundo das animações, Wall-E. Em 2009 nos entregou uma obra de menor calibre mas que também possui todos os louros tanto por seus aspectos técnicos quanto pela sensibilidade de seu roteiro.

Melhor Filme Estrangeiro A Fita Branca. Pude conferir o filme de Michael Haneke ano passado na Mostra Internacional de São Paulo e o prêmio é merecido. Não vi os outros concorrentes, mas A Fita Branca, apesar de frio e racional, é um primor em filmagem Preta&Branca, um olhar incisivo e perturbador sobre as origens do nazi-facismo e  possui um roteiro minunciosamente lapidado.

Melhor Ator em Comédia ou Musical Robert Downey Junior por Sherlock Holmes. A categoria estava em suspense, mas não posso afirmar nada sobre ela, pois ainda nao assisti a Sherlock Holmes. Tudo que pode ser falado é que Daniel Day-Lewis, apesar da excelência que sempre carrega consigo, não agradou com sua performance musical em Nine, que não foi bem recebido pela crítica.

Melhor Ator Coadjuvante em Filme Christoph Waltz por Bastardos Inglórios. Apesar das sempre agradáveis performances de Stanley Tucci, o ano é de Christoph Waltz. Quem viu Bastardos sabe da inspiração e da genialidade do trabalho do ator. Esse ano ele leva tudo.

Melhor Ator em Drama Jeff Bridges por Coração Louco. Infelizmente não tive tempo de conferir Coração Louco, mas a premiação de Jeff Bridges me surpreendey um pouco. Torço por Colin Firth em Direito de Amar, mas pensava que George Clooney levaria o prêmio por Amor Sem Escalas. Esperemos o SAG para ter uma ideia um pouco mais clara da categoria para o Oscar.

Melhor Atriz em Comédia ou Musical Meryl Streep por Julie & Julia. Nesse ano não tem para ninguém. Já passou da hora de a Academia dar o terceiro Oscar para Meryl Streep, que é a recordista de tudo quanto é coisa por aí. Há muito que a atriz já se tornou o Zeus do Panteão de Hollywood e a performance perfeita de Julia Child é o momento certo de Academia resgatar sua dívida para com a atriz.

Melhor Atriz Coadjuvante em Filme Mo´nique por Preciosa. Nessa categoria não consigo torcer para ninguém, porque Mo´nique, Vera Farmiga e Julianne Moore merecem o prêmio. De qualquer forma, o prêmio de Mo´nique é merecídissimo por seu papel asqueroso e complexo.

Melhor Atriz em Drama Sandra Bullock por O Lado Cego. O público americano adorou o filme de Bulllock, que melodramático e maniqueísta demais para me agradar. De todo modo, sua interpretação vem sendo elogiada, talvez como a primeira com reais chances para o Oscar. Para mim, uma balela. Qualquer outra das concorrentes da categoria teria sido uma escolha melhor.

Melhor Roteiro  Jason Reitman por Amor Sem Escalas. Gostei bastante do novo filme do diretor de Obrigado por Fumar e Juno e o roteiro é realmente louvável.

Melhor Filme Comédia ou Musical Se Beber Não Case. A maior palhaçada da noite. Não é segredo para ninguém que este filme não me agradou em nada. Mas mesmo quem gostou do longa há de convir que um prêmio de melhor filme  para Se Beber Não Case mostra a decadência da categoria. 500 Dias com Ela seria uma escolha muito mais sensata.

Melhor Diretor James Cameron por Avatar. Tudo bem, até aí somos amigos. James Cameron é um bom diretor.

Melhor Filme Drama Avatar. Também não é segredo para ninguém que não acho Avatar a oitava maravilha do mundo. Reconheço toda revolução técnica trazida pelo filme, a imersão na história muito bem contada, a mensagem bonita e blábláblá. Os méritos são muitos e ignorá-los é impossível. Só não acho que só isso o transforme no melhor filme do ano. A banalidade e a superficialidade da história impedem que eu o reconheça assim, por maiores que sejam seus méritos em outros quesitos.

Lembrando que sábado tem Screen Actors Guild Awards, o prêmio do sindicato dos atores, um termômetro mais confiável para o Oscar. Veremos  o que nos espera!

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Salve os Bastardos do Distrito 9!

Em meio a Mostra Internacional de Cinema, resolvi fazer um post reunindo pequenos comentários sobre três filmes que vi durante a semana passada: Salve Geral, Bastardos Inglórios e Distrito 9.

Salve Geral

Salve Geral

O primeiro longa é, infelizmente, o brasileiro que vai nos representar na corrida pelo Oscar em 2010. Já adianto que a Academia deverá deixá-lo de lado, pois o filme tem uma série de problemas. Ninguém o recebeu bem, nem a crítica especializada, nem a comunidade de cinéfilos blogueiros. Salve Geral tem um roteiro superficial, que não consegue abordar a intrincada questão da segurança pública e das facções criminosas nos presídios. O longa deixa um sensação de impotência diante da realidade, mas não é crítico o suficiente para se sustentar. Se você quer fazer um filme que não ofereça finais felizes, tem que acertar a mão. Enfim, a direção de Sergio Rezende avança aos trancos e barrancos, de forma pouco fluida e também não consegue tirar boas atuações de um elenco que poderia oferecer bem mais do que vemos.

Bastardos Inglórios

Bastardos Inglórios

Bastardos Inglórios, mais um acerto de Quentin Tarantino, pode parecer lento e sem objetivos claros, mas é nos diálogos e na estrutura temporal que o longa mostra sua mágica. Não é segredo que Tarantino possui um talento descomunal para construir diálogos antológicos, que dão vida a muitos de seus filmes. A lentidão de Bastardos se transforma em puro deleite. Outra questão interessante no longa é o tempo, que parece se protrair de maneira misteriosa, apurando ainda mais o deleite criado pelas mãos do diretor. Não falarei de todas as referências que o filme faz, assunto batido nas críticas a respeito, mas sim do tapa que recebemos ao final do filme. Quem não se deliciou com a cena final no cinema, com a “vingança histórica” a que assistimos? Cuidado, podemos estar mais próximos dos nazistas do que supomos…

Distrito 9

Distrito 9

Distrito 9 veio com todo o peso do nome de Peter Jackson e com ar de inovação para a ficção científica. E o maior problema do longa é este. Os alienígenas do filme, pretexto para todas as críticas sociais que foram apontadas resenhas afora, são demasiadamente parecidos com humanos. A única coisa que os torna aliens é sua forma grotesca, de resto são humanos excluindo e fazendo mal a humanos, coisa que vemos todos os dias nos noticiários. Distrito 9 é legalzinho, apesar da queda de interesse pela película no terço final, mas não está com a bola toda. Na minha humilde visão, foi superestimado. Mas de uma coisa eu sei: não se trata de um filme de ficção. Afirmação polêmica, confesso.

Amanhã tem mais Mostra Internacional de Cinema!

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