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Mini critica: A SINGLE MAN

Deixo para comentar quando sair no Brasil. Soh duas palavras, alem das rotineiras desculpas pela falta de acentos:

Academia, quite sua divida e de um Oscar para Julianne Moore.

Academia, Oscar para Colin Firth.

Sem mais.

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Crítica: UP – ALTAS AVENTURAS

A Pixar voando alto

A Pixar voando alto

Quando Up começa e vemos as figuras pouco comuns nas telas, sabemos que estamos diante de um filme da Pixar. O estúdio, nos anos passados, já transformou um rato e um robô em protagonistas e, agora, elege um velho viúvo rabugento e um menino gordinho com traços orientais para brilhar nas telas. Neste quesito, a Pixar sempre acerta ao dar espaço para personagens que ninguém mais escalaria.

Up – Altas Aventuras é mais um acerto do estúdio, apesar de não chegar perto da densidade de Wall-E. Carl Fredricksen é um viúvo de 78 anos que não aguenta mais a loucura da urbanização moderna ao redor de sua casa e escolhe uma maneira inusitada de se livrar do problema: com milhões de balões, sai voando carregando seu lar com destino a um paraíso perdido na América do Sul, velho sonho de sua mulher, Ellie. O problema é que, junto a Carl, fica preso o menino Russel, de oito anos e alma de explorador. A partir daí, se desenvolve uma aventura e uma amizade terna entre os protagonistas, que em muito lembra Gran Torino.

Em relação aos aspectos técnicos, o estúdio continua sua trilha de excelência, agora com a inovação do 3-D. Os detalhes da película enchem os olhos, as conhecidas expressões faciais detalhadas estão lá denovo e os balões são uma explosão de alegria nas telas. É tudo muito bonito e bem feito e falar sobre isso é quase como chover no molhado.

O longa tem uma história cheia de fantasias e o ritmo certo para agradar às crianças, mas tem muita coisa para agradar  também ao público adulto (que tenha um mínimo de paciência e senso de humor, que fique claro). A história de Carl e Ellie é muito emocionante e a cena que nos apresenta a toda a vida do casal em alguns minutos é densa e e cheia de drama. No fim das contas, Up dosa bem a temática infantil às questões mais sutis. Entre elas, gostaria de ressaltar o grande conflito da vida de Carl, que é também de muitos dos homens modernos.

A consciência social sempre elegeu dois papéis principais para a figura masculina, o de provedor que sustenta toda sua família com sua vida de trabalho duro e o aventureiro, que explora o mundo e enche a vida de sua esposa de situações inusitadas, fugindo do cotidiano e da banalidade. Esse segundo tipo  costuma causar muito dor de cabeça à maioria dos homens, por que a maioria deles, como é de se esperar, leva uma vida comum ao lado de sua esposa e de sua família, de modo que as promessas de aventuras ficam num passado distante e só são relembradas quando o indíviduo compra um carrão ou participa das leves transgressões do dia a dia. O cotidiano se transforma numa tortura e traz o medo de  que outro homem, mais novo e com mais energia, ofereça tudo que ele não pode. Carl sofre com isso, mas descobrirá algo interessante ao folhear o livro de Ellie…

Mesmo aquém da perfeição alcançada por Wall-E, Up – Altas Aventuras é uma bela animação que explora caminhos esquecidos pelas demais e que garante diversão para qualquer um que tenha o coração aberto à beleza e ao humor. Enquanto a Pixar não nos entrega mais uma obra prima, assistimos a seus trabalhos médios, que já possuem um grau de excelência invejável.

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Crítica: ANTICRISTO (2009)

O Mal e a Dor

O Mal e a Dor

Lars Von Trier é sinônimo de polêmica e de caretas e em Anticristo o diretor chega ao feito de expulsar algumas pessoas da sala do cinema. Talvez o longa mais conhecido do diretor pelo grande público seja Dogville, com Nicole Kidman, que tem muita inovação e pouca aceitação pela maioria dos expectadores.  Von Trier é um cineasta experimental, totalmente marcado por seu próprio “eu”, criador de obras que instigam a plateia a pensar de onde raios o diretor tirou aquelas ideias. Neste quesito, Anticristo vai ainda mais longe. Se você tem problemas com cenas fortes, feche os olhos no terço final do filme.

Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg interpretam um casal que acaba de perder o filho pequeno. Por um descuido extasiante, enquanto os dois faziam sexo, a criança pula pela janela de onde moram. A partir daí, Charlotte desenvolve um quadro agudo de ansiedade e o marido, terapeuta, resolve levá-la para a floresta do Éden (o nome já nos indica algo que descobriremos ao fim do filme), onde possuem uma casa de campo. Diante deste argumento, Von Trier desenvolve uma narrativa psicológica e perturbadora.

Anticristo é mais um daqueles filmes em que a temática nos envolve tanto que fica difícil prestar atenção na parte técnica. Ainda assim, é possível perceber a beleza da filmagem do diretor, que oscila entre o onírico idealista e a câmera fechada e sufocante, de um realismo que incomada. O casal também faz bonito e se entrega de corpo, muito corpo, e alma aos papéis difíceis e esféricos, que exigem muito dos atores. Gainsburg levou o prêmio de melhor atriz no festival de Cannes, onde o filme levantou muita polêmica e ira dos setores mais conservadores (e até de alguns “liberais”). Não era para menos.

O sexo redime ou condena?

O sexo redime ou condena?

O longa é simbolismo puro e há dezenas de cenas que poderiam ser citadas para mostrar isso. Destaco duas que refletem a dor da perda do filho pelo pai, que parece não estar se importando com o fato (apenas parece). Uma delas é a águia comendo o próprio filhote, a outra é o veado que possui metade de um filhote parido e podre preso a seu corpo. Outra cena controversa e que gerou muitas reaçõs é a da raposa falante, de que gostei muito, mas que provocou várias risadas (né?). Entre realidade e ficção, a narrativa que é dividida em capítulos evolui de forma angustiante e sufocante, sem mostrar cenas de terror gore, reservadas apenas ao final. Este é um ponto positivo do longa: ele se mantém no mero terror psicológico; quando as piores cenas chegam às telas, já estamos incomodados há tempos.

Cuidado, alguns SPOILERS. Mais ao final, descobrimos certas verdades que mudam completamente nossa visão sobre o filme; é essa a abordagem pela qual Von Trier foi tão criticado. A um primeiro momento, pela visão do diretor, a mulher em si pode ser comparada ao demônio e levar o nome de Anticristo? Sob uma leitura artificial, sim. Mas há pontos no longa que nos mostram que o vilão da história é o ser humano, e não a mulher. Essa é a principal lição que tiramos da contradição humanidade x natureza, presente em todo o longa. Ao final, com os três animais sorridentes, descobrimos que a maldade vem do ser humano hobbesiano, não da natureza amoral. Contudo, o diretor escolhe retratar a temática pelo foco feminino, o que gerou controvérsias compreensíveis.

Anticristo, assim como outras obras de Lars Von Trier permite múltiplas leituras que não se esgotam em uma única sessão (nem em duas, três ou quatro). Polêmico, simbólico, nu e cru, o filme polarizou opiniões e pode causar asco ou fascínio. De qualquer modo, fica impossível negar a importância de Von Trier para o cinema contemporâneo e o poder deste filme sobre o qual escrevo. Se você aguentar o sufoco, não perca a oportunidade e corra ao cinema!

[Decido esta crítica ao Misawa e à Bia, que me acompanharam nesta aventura de assistir a Anticristo]

UPDATE: Veja também esta interessante postagem do CineButeco, que compara Anticristo a O Iluminado.

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Carreira: Meryl Streep [4]

Um talento que abraça o mundo

Um talento que abraça o mundo

Leia primeiro a Parte 1, a Parte 2 e a Parte 3.

Desde As Pontes de Madison, quando Meryl Streep provou que ainda tinha fôlego para encarar Hollywood de frente, a atriz vem interpretando papéis maduros que, talvez, sejam os melhores de toda a sua carreira ao lado de Sofia e Helen Archer. Ainda assim, desde 1983, Streep nunca mais recebeu Oscar algum. Alguns argumentam que o Oscar não é um prêmio para ser levado a sério, o que não encerra discussão, uma vez que a estatueta dourada é o prêmio de maior visibilidade mundial. Teria Meryl se tornado a eterna indicada, a competente atriz que produz belos trabalhos mas que nunca mais conseguiu alcaçar o ápice da interpretação? Ou a Academia teria apenas reconhecido que Streep já alcançou patamares lendários e que seria melhor agraciar outras atrizes com o prêmio? Deixo as questões para meus leitores. De todo modo, este último texto biográfico tentará mostrar que Meryl fez outros trabalhos dignos da estatueta e lançará a pergunta que encerrou o texto anterior: a crescente popularização desta atriz será seu crepúsculo?

Just Streep

Just Streep

Em 2002, Streep interpreta Susan Orlean no filme introspectivo Adaptação, ótimo papel que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante depois de 23 anos. Mas foi em As Horas, um dos melhores filmes da primeira década do novo século, que Streep nos entregou mais um papel primoroso, de uma profudidade que poucas atriz conseguiriam expressar. Clarissa é uma mulher frágil e poderosa, que nos brinda com uma pérola do cinema moderno: I remember one morning getting up at dawn, there was such a sense of possibility. You know, that feeling? And I remember thinking to myself: So, this is the beginning of happiness. This is where it starts. And of course there will always be more. It never occurred to me it wasn’t the beginning. It was happiness. It was the moment. Right then.

Em 2004, Meryl participa da adaptação Desventuras em Série, como a excêntrica Tia Josephine, personagem plana que ganha vida nas mãos de Streep. Subestimado, Desventuras é um belo e artístico filme, apesar da temática deveras juvenil. No mesmo ano, a atriz interpreta a vilã de Sob Domínio do Mal, Eleanor Shaw, que deixaria Miranda Priestley no chinelo. Também subestimado, o filme é um perturbante thriller político e, confesso, é o longa graças ao qual comecei a apreciar o talento de Meryl Streep. No ano seguinte, a mediana comédia Terapia do Amor nos lembra de seu talento para comédia, esquecido desde A Morte Lhe Cai Bem.

No ano de 2006, dois prodígios. Em A Última Noite, o belo e singelo último filme de Robert Altman, Meryl canta várias canções no mesmo longa, feito inédito e que revela seu talento para a música, que seria aproveitado em Mamma Mia! O fato é que, espalhados por diversos trabalhos, Meryl possui mais de trinta canções, das quais falarei separadamente em outra oportunidade. Em O Diabo Veste Prada, Streep dá vida a um novo ícone, a vilã-nem-tão-vilã-assim, Miranda Priestley, que a colocou denovo nas graças do grande público. O sucesso do filme garantiu uma nova geração de fãs para Meryl Streep, alçando-a à popularidade (talvez maior ainda) que possuía na década de 1980. A décima quarta indicação ao Oscar e uma de suas chances mais reais. Ficou só na chance, a estatueta foi para Helen Mirren.

Don, Meryl, Louisa

Don, Meryl, Louisa

Nos últimos dois anos, uma enxurrada de filmes. Em 2007, Fúria pela Honra, Leões e Cordeiros, O Suspeito e Ao Entardecer, nenhum deles de grande projeção. Em 2008, o mega fenômeno, o musical mais brega e mais animado da história, um paradoxo: Mamma Mia!, que trouxe outra leva de fãs à atriz. Também neste ano, Dúvida, um longa inteligente e bem montado e que lhe trouxe a décima quinta indicação ao Oscar. Para 2009, já esperamos Julie & Julia e It´s complicated.

Dois anos, oito filmes. Em poucas palavras, dentro da lógica de mercado, os estúdios perceberam que Meryl Streep ainda pode dar muito dinheiro. Só Mamma Mia! e O Diabo Veste Prada renderam, juntos, quase um bilhão de dólares. Em época de crise, Streep é rendimento certo. Sorte dos fãs e das audiências de cinema, que podem continuar a apreciar o trabalho da maior atriz viva e quiçá da história de todo o cinema.

A grande questão que se coloca para o futuro é, mais uma vez: será a popularidade de Streep seu crepúsculo, seu respiro final? Afinal, é sabido que o grande público simplesmente enjoa de atores que dão muito as caras nas grandes telas. E quanto mais Streep se populariza, mais papeis mercadológicos acaba escolhendo, o que a distancia da excelência que lhe é devida. E agora, alguém se arrisca a opinar sobre estas questões?

Mais uma vez agradeço a todo o apoio do pessoal da comunidade Meryl Streep – Brasil. Abraços!

See you soon...

See you soon...

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Crítica: À DERIVA (2009)

Água e Pureza

Água e Pureza

Nos primeiros momentos de À Deriva, já podemos perceber que se trata de um filme diferenciado, não somente em relação à safra de comédias pastelão que domina o cinema nacional (Se Eu Fosse Você 2, Mulher Invisível, Os Normais 2), mas em relação à grande maioria dos filmes que vemos no cinema. Perdoem-me por não fazer a sinopse do fime, mas esse texto já vai ficar muito extenso! Em filmes sensíveis e introspectivos como À Deriva, é difícil analisar com isenção aspectos técnicos da produção, pois a beleza e a força da história nos envolvem por inteiro. A emoção acaba nublando a razão, o que nem sempre é um mau negócio.

Ainda assim, notei que a produção do longa tem vários pontos positivos (e conta com o dedo de Fernando Meirelles). Heitor Dhalia se consolida como promessa do cinema brasileiro, ao mostrar que também pode criar e dirigir dramas densos e histórias sutis (o trabalho anterior do diretor foi O Cheiro do Ralo, de 2006). O diretor conduz o elenco extremamente entrosado com maestria e cria belos planos com a câmera que parece sempre estar sondando a intimidade dos personagens. A fotografia também tem seus méritos em matéria de iluminação dos cenários e em plasticidade, o que cria belas tomadas, como a inicial, em que Felipa (Laura Neiva, ótima) e o pai (Vincent Cassel) bóiam na água.

Mas a força da película está em sua temática, que tem sido mal interpretada e subestimada por muitas resenhas. Não há nada de épico em À Deriva e a história é, realmente, banal. Mas o trunfo do filme está justamente em transformar a vida familiar de uma típica adolescente em uma história poderosa, sensível e, eu diria, arrebatadora.  Basta olhar um pouco mais fundo. Do ponto de vista psicológico, Felipa é o exemplo da tênue linha que separa infância, adolescência e a vida adulta. Quatro cenas sintetizam o processo: por trás da cortina, o véu da inocência. Em cima da árvore, o crescimento. O uso de maquiagem, o amadurecimento. Ao fim do filme, ao sair do barco, finalmente a vida adulta. À Deriva mostra todo esse caminho e nos lembra de que ele não é uniforme nem retilíneo.

A relação de Felipa com o pai é o termômetro disso tudo. Na cena inicial, na bóia,  Felipa é uma criança. Ao longo do filme, ao descobrir que seu pai pode desejar outra mulher que não sua mãe, começam a despertar seus desejos sexuais. O papel de Ângela (Camila Belle), a amante, é fundamental e não é à toa que as maquiagens que Felipa usa em um momento são oferecidas por ela. Ao mesmo tempo, porém, no exercício de sua própria experiência e observando sua casa, os ímpetos sexuais da menina são freados, o que resulta, se me permitem a expressão, numa espécie de dialética do desejo, oscilação entre desejo e repulsa. Quando descobre certo fato sobre sua mãe, Felipa despe-se de seus preconceitos e abandona a reprovação ao sexo masculino, que vinha das atitudes do pai, e finalmente pode crescer. Ao fim do filme, novamente boiando, pai e filha sabem que não são mais homem e menina, mas homem e mulher. À Deriva mostra tudo isso e muito mais com extrema sutileza e sensibilidade, pautadas em uma bela trilha sonora e atuações à altura.

Fugindo do risco de cair em exageros, o filme de Heitor Dhalia não escorrega e mantém te(n)são na medida certa, ao fugir de moralismo ou exibicionismo barato. Mais que um fôlego para o cinema nacional, o filme cria catarse a partir do cotidiano e já é um dos melhores filmes do ano. Para ver além da superfície e mergulhar nos mistérios da vida humana, À Deriva é do tamanho de quem o assiste. Para ver, rever e ser degustado aos poucos…

PS.: Gostaria de falar bem mais de À Deriva, mas esse texto já ficou grande demais!

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Crítica: NA MIRA DO CHEFE (2008)

The fucking best scene from the fucking movie! Fuck!

The fucking best scene from the fucking movie! Fuck!

Na Mira do Chefe é um daqueles mistérios que te faz inclinar um pouco para frente enquanto assiste ao filme, tentando mergulhar melhor em seu universo e em suas ideias. À primeira vista, um susto diante da narrativa pouco convencional, das piadas de humor negro e da história que não tem objetivo algum. Porque essa é a impressão que naturalmente surge para quem está acostumado com o cinemão norte-americano, em que um filme só chama atenção se muita coisa acontecer entre um começo e um fim bem discriminados. Narrativas que fogem ao formatos são taxadas de “sem pé nem cabeça”.

Ray (Colin Farrell) e Ken (Brendan Gleeson) são dois matadores enviados a pequena e singela Bruges, na Bélgica, por seu chefe, Harry (Ralph Fiennes). Enquanto Ken aproveita as belezas da cidade, Ray não consegue aturar a atmosfera local e se envolve em algumas confusões com um anão e um caso amoroso com uma bela dama de sotaque francês. Mas logo Ray vai se envolver em algo bem maior, graças a um grande erro que atormenta sua vida.

Sob um olhar mais atento, o filme é uma grande opção. Histórias como a que vemos dependem muito dos atores, que ocupam lugar central em um roteiro que não tem explosões, perseguições ou sequências frenéticas. Na Mira do Chefe acerta neste quesito. Collin Farrell, que ganhou o Globo de Ouro ano passado por seu papel, nos entrega um personagem esférico que viaja do cômico ao desespero com maestria. Brendan Gleeson move barreiras com seus olhares cortantes, seus sentimentos paternais em relação ao parceiro e seus duelos sintáticos com o Chefe, Ralph Fiennes, que também está ótimo, num papel que o permite abandonar a fleuma britânica característica.

O roteiro realmente merece todos os prêmios que ganhou e a que foi indicado, mas paradoxalmente é o grande calcanhar de aquiles do longa. Martin McDonagh, diretor e roteirista, conduz magistralmente a história excêntrica, que prende a atenção e nos apresenta a personagens complexos, situações problemas que oscilam do hilário ao dramático, tudo pontuado por uma trilha sonora vibrante e um trabalho técnico muito competente. No fim das contas, algumas cenas são de arrepiar os pelos. No entanto, quando vista na totalidade, reitero na totalidade, a história não se parece com a vida real, é idealista demais, o que deixa a impressão que McDonagh não conhece a vida de perto, mas é apenas um cara talentoso na hora de escrever roteiros.

Um bom filme, Na Mira do Chefe é uma ótima pedida para quem gosta de comédias fora do pastelão e histórias diferentes do padrão a que estamos acostumados. Com um pouco de esforço, o “sem pé nem cabeça” pode se tornar um momento de diversão e algumas reflexões. Entretanto, o filme não consegue ir a fundo na psiquê humana ou nas situações dramáticas da vida cotidiana, parecendo se passar em algum mundo destacado do nosso. A singeleza e a idealização Bruges, a típica cidade-sonho europeia, se reflete em Na Mira do Chefe. Ainda assim, recomendado!

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Crítica: HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE

Tempos sombrios se resolvem com "Lumus"

Tempos sombrios se resolvem com "Lumus"

Os letreiros iniciais do filme já anunciam o que está por vir. Nem mesmo a tradicional música de abertura, que arrepiava todos os fãns em pré-estreias, dá as caras neste novo longa. Somente um som baixo e um cinza provocativo. Harry Potter e o Enigma do Príncipe é o filme mais adulto de toda a série, mas é também o mais juvenil. É a película mais densa já produzida, mas que se esquece de momentos cruciais da história e transborda namoricos por todos os lados. É a história mais dramática já produzida nos longas do bruxo (que já deixou de ser bruxinho faz tempo), mas que é abotoada de momentos de frivolidade. O novo Harry Potter parece ser um filme de extremos, e as reações a ele também têm sido polêmicas.

Desde o terceiro longa que cada novo filme da série é “o mais sombrio de todos”. Essa constatação já é batida e diminui os reais avanços das adaptações. Tecnicamente, a saga evoluiu muito e vem nos presenteando com filmes esteticamente belos. A Direção de Arte é muito competente, os cenários estão detalhados, muito bem construídos e em consonância com o clima cinzento do longa. E alguém aí notou a data em que Dumbledore conheceu Tom Riddle?  Leia os Spoilers mais abaixo. Os efeitos especiais também merecem crédito, tanto na recriação de cenários quanto na sutileza das magias que vemos em cena.

Snape... melhor personagem da série

Snape... melhor personagem da série

O elenco também não faz feio. Os veteranos sempre foram um ponto fortíssimo da franquia, o que não foge à regra agora. Michael Gambon nos entrega o melhor de Dumbledore, certamente não o do livro, mas o que construiu brilhantemente desde o terceiro filme. Alan Rickman continua sendo o melhor Snape que pode existir (desconfio que seja um Snape ainda melhor do que imaginamos…) Maggie Smith dispensa comentários. A surpresa, no entanto, fica por conta de Jim Broadbent, que revelou uma imensa genialidade ao compor o professor Slughorn. Transpondo toda a excentricidade que o personagem possuía no livro, Broadbent dá um toque de humanidade transbordante ao professor, rendendo os momentos mais hilários e mais sinceros.

E o trio principal? Ruppert Grint (Rony) sempre foi o menos mecânico e cresceu com um talento interessante para a comédia, que está sendo bem utilizado pelo atual diretor. Emma Watson (Hermione) amadureceu muito nestes anos todos, livrando-se de vários de seus cacoetes (caretas, sotaque britânico muitíssimo acentuado). Mas o Daniel Radcliff (Harry) não me convence. Ele é totalmente inexpressivo, o que fica mais claro quando divide as telas com Gambon ou Broadbent.

Prof. Slughorn

Prof. Slughorn

A questão crucial neste filme tem a ver com a adaptação. Visto independetemente do livro, a película se sustenta bastante bem. O roteiro se desenvolve com ritmo, apesar de algumas soluções apressadas para alguns problemas que se apresentam e de cortes temáticos abruptos demais. O fato é que o sexto filme tem romance (às vezes, concordo, demais), aventura, drama e suspense muito bem misturados, o que rendeu o melhor filme da franquia, mesmo com a pressa da direção e do roteiro. Os fãns mais xiitas reclamaram que o filme não é fiel ao livro, o que é verdade. David Yates e a equipe do longa escolheram um determinado foco para construir um filme em vários momentos independente do livro (algumas cenas foram até inventadas). Descuidaram de algumas questões cruciais para colocar em relevo questões menores? Sim, com certeza, mas isso não chega a tirar os demais méritos do filme. Se quiser ler mais sobre isso, leia os spoilers abaixo.

Filme ponte entre o amadurecimento da franquia e seu derradeiro fim, “O Enigma do Príncipe” consagra o estilo de David Yates, mas causou a fúria de muitos dos fãns. Este novo Harry Potter é um filme de extremos, assim como as impressões que tiramos dele. Maduro, bem construído e com atuações notórias, a série vem deixando de ser meramente sobre a saga de um bruxinho, para alçar voo e tentar produzir filmes poderosos. Ainda sem total êxito, os dois últimos da franquia (na verdade, o sétimo dividido em dois) tem grandes chances de concretizar tais pretensões e fechar a série com chave de ouro. Em relação aos fãns, compreendo sua fúria, mas deixo minhas palavras: filme algum poderá recriar nas telas o universo que construímos lendo os livros. Cinema e literatura têm linguagens diferentes. Não seria possível enxergar livro e filme como realidades que se complementam?

<<<<<<<<<<SPOILERS>>>>>>>>>>

Gina...

Gina...

Dumbledore e Tom Riddle se conheceram em 1938, o que confirma que, na época em que se passa o filme, Voldemort tem 68 anos de idade. Dumbledore não deve passar longe das piadinhas do Ron, tendo facilmente 120 anos.

Já que inventaram uma cena de batalha na “Toca”, bem que poderiam ter feito uma decente, não é mesmo? Faltou uma bela batalha neste filme, como tivemos no filme anterior.

Será que ninguém percebe o título do livro e do filme? O Enigma do Princípe foi relegado a segundo plano e sua revelação foi a pior que poderiam ter inventado. Aquela cena final com Snape não convence ninguém, né!

Ok, conhecemos os Horcrux, mas eles também não foram explorados com a profundidade que merecem. Veremos o que nos aguarda no sétimo filme. O Enigma do Príncipe e as Horcrux foram os dois pontos que o filme pecou por explorar pouco e exagerar nos romances e frivolidades da vida adolescente.

Não dava pra ter deixado aquela garçonete de fora e honrado o Dumbledore com um enterro? Poupe-me! Espero que coloquem o enterro no sétimo filme.

Abraços

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