Carreira: MERYL STREEP [2]

Simply Streep

Simply Streep

Leia primeiro a Parte 1.

Um dos grandes trunfos de Meryl sempre foi sua beleza fora dos padrões, o que a manteve longe das alcunhas de “sex-symbol” e da badalação da mídia especializada. Inclusive, em 1976, Meryl foi rejeitada para o papel da mocinha em King Kong e ainda teve de ouvir o produtor do filme se queixando de que ela não era bela o suficiente para o papel. O produtor, que falava com seu filho em italiano, só não contava que Meryl também soubesse falar a língua de Dante e Petrarca. Ademais, não é segredo que Meryl colocou enchimentos nos seios para fazer a entrevista com Sidney Pollack para seu papel em Entre Dois Amores. Hoje,  Meryl se tornou um símbolo para as mulheres que conseguem envelhecer de bem com as rugas que, afinal, são essenciais em qualquer interpretação.

Em 1983, logo depois de sua performance arrasadora em A Escolha de Sofia, Meryl foi mais uma vez indicada ao Oscar por Silkwood, em que interpreta uma trabalhadora de uma central nuclear obstinada em escancarar o desrespeito às leis e ao meio ambiente por parte das mega-corporações do setor. No filme, Streep encontra uma sintonia formidável com a cantora e atriz Cher, que foi indicada à estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante por seu trabalho. Um ano depois, Meryl estrela a comédia romântica água-com-açúcar Amor à Primeira Vista, com Robert De Niro.

Um Grito no Escuro

Um Grito no Escuro

Em 1985, vem o arrebatador Entre Dois Amores, um quase-épico ambientado na África, em que Meryl nos dá mais uma prova de sua habilidade em interpretar sotaques (desta vez, dinamarquês) e de seu fôlego para concorrer ao Oscar em sua sexta indicação. Apesar do ritmo lento, Entre Dois Amores dá um show de imagens e sensibilidade; indicado a 11 Oscar, o filme levou 7, incluindo Melhor Filme. Logo após, Meryl divide as telas com o mestre Jack Nicholson em uma dramédia romântica, numa sincronia fina de interpretações. No filme de história batida, a filhinha de Rachel (Streep) é Mamie Gummer, filha de Meryl Streep fora das telas! Detalhe: o roteiro é de Nora Ephron, também de Silkwood e do ainda inédito nas terras tupiniquins Julie & Julia (2009).

Entre 1987 e 1988 Meryl nos entregou duas de suas mais sublimes interpretações, que fecham mais um ciclo em sua vida, o amadurecimento. Apesar de seus papéis brilhantes no começo da carreira, Meryl é um daqueles gênios que nos entregam o melhor com o tempo, assim como Picasso. Envelhecimento significou para Meryl Streep um refinamento espetacular de seu talento, o que garantiu seu sucesso por, pelo menos, mais duas décadas.

Em 1987, em Ironweed, Hector Babenco (de Carandiru, 2003) dirige Meryl no papel de Helen Archer, uma antiga cantora de rádio que vive como mendiga em tempos nos quais os Estados Unidos ainda não haviam se recuperado totalmente da grande crise de 1929. O clima de miséria e de pobreza acentua as interpretações de Meryl e de Jack Nicholson. Apesar de ter sido apenas indicada, Streep merecia sem pestanejar o Oscar por sua performance. Vê-la cantando “He´s me pal” é uma catarse!

He´s me pal

He´s me pal

Um ano depois, em Um Grito no Escuro, Meryl de sotaque australiano interpreta uma mãe que se vê diante da acusação de ter matado seu filho bebê, quando na verdade o pequeno havia sido levado por um Dingo, uma espécie de coiote dos desertos da Austrália. Num excelente filme de tribunal, Streep arrepia com olhares frios e com a complexidade de uma mãe em uma situação delicadíssima. Ótima pedida, o longa garante ótimas reflexões sobre justiça, tolerância e religião e nos faz lembrar o assustador caso do casal Nardoni. Impossível não enxergar semelhanças. Haverá culpa? Mais uma indicação ao Oscar.

Ao final da década, Meryl Streep já é uma grande estrela do cinema norte-americano, consolidada em um meio tão volátil. A alcunha de Grande Dama do Cinema logo será unanimidade. Mas a partir de 1989, Meryl passa a enfrentar seu maior desafio: a vida em Hollywood aos 40 anos e com o quarto filho a chegar, Louisa. Nos próximos seis anos, Meryl enfrentará o limbo para renascer e chegar aonde nenhuma outra atriz jamais chegou. Mais isso fica para a próxima!

Leia também a Parte 3 e a Parte 4

PS.: Lembrei-me de mais uma coisinha sobre A Escolha de Sofia. No filme, além de falar inglês com sotaque polonês, Meryl fala Alemão com sotaque polonês. Há!

Meryl Streep

Meryl Streep

PS.2: Agradeço ao apoio do pessoal da comunidade “Meryl Streep – Brasil”, pelo espaço cedido e pelo retorno sobre minhas postagens. Um grande abraço a todos!

6 Comentários

Arquivado em Carreira

6 Respostas para “Carreira: MERYL STREEP [2]

  1. Gioberlândia

    Como disse na comunidade, você escreve muito bem Renan, continue sempre escrevendo muito, mais muito mais sobre a nossa diva Meryl Streep.

  2. Mi'

    Parabens mais uma vez, vc fez um resumo de tudo q um fã precisa saber!

  3. Hanna

    Mais uma vez adorei!
    Já to esperando pela próxima parte!
    Ps: Concordo com você, “Entre dois amores” é um deleite para os olhos, a fotografia, a trilha sonora, e claro a Meryl e o Eobert Redford estão perfeitos!

  4. Claudia Vanessa Quaiotti

    Tô aguardando as continuações. . .
    Obaaaa!!!!🙂

  5. Nathally

    Oi Renan, parabéns pelo texto. Muito bom mesmo…uma análise sóbria, verdadeira ao mesmo tempo adorável sobre a Meryl. Parabéns!!
    Continue escrevendo.
    Abraços.

  6. Fátima Peres

    Olá adoro ler o escreve Parabéns…Concordo com suas obs…É legal tb dizer que sobre os testes para ” A Escolha de Sofia”,quando Meryl chegou para os testes fez uma pergunta que acredito que lhe garantiu o papel…ela disse:” Vcs querem que eu faça o teste em alemão,polonês ou inglês?” com ou sem sotaque? rsrsrsr Só ela mesmo. Adorei esse filme tanto que meu filho que nasceu em 1990 chama-se Jan. E minha filha Júlia. Vc é muuuito bom continue escrevendo.
    bjs

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