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Embasbawards 2010: Elenco

Os filmes com os melhores elencos de 2009:

Dúvida

Dúvida – O filme de John Patrick Shanley foi celebrado por seu roteiro magistral e seu time de atores fora do comum. Não era para menos. A jovem Amy Adams surpreende no melhor papel de sua carreira. A coadjuvante Viola Davis rouba os holofotes  e uma indicação ao Oscar por apenas duas cenas, que transbordam uma sutileza incrível. Philip Seymour Hoffman e Meryl Streep trazem um verdadeiro duelo interpretativo dando vida a personagens que, de tantas nuances, só poderiam brilhar nas mãos de mestres.

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Foi Apenas um Sonho

Foi Apenas um Sonho – Por que Kate Winslet foi indicado ao Oscar de Melhor Atriz por O Leitor, se muitos consideravam seu papel como coadjuvante? Uma das resposta é que se ela fosse lembrada por Foi Apenas um Sonho, Leonardo Di Caprio não poderia passar despercebido. Nesse filme, os dois dão um tremendo show como um casal perturbado pelas garras do cotidiano, enquanto Michael Shannon  despeja talento como um esquizofrênico dono de todas as verdades. E tem Kathy Bates para temperar.

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Anticristo

Anticristo Pode um filme de dois atores figurar nessa categoria? Naturalmente, se seus trabalhos forem dignos de nota. Charlotte Gainsbourg ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes por sua performance assustadora e profunda. Se a fotografia de Lars Von Trier cria o sombrio no ambiente, Charlotte dá a dimensão humana a essa escuridão maléfica que ronda Anticristo. Willem Daffoe, no melhor papel de sua carreira, tampouco se apaga diante de sua mulher.

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Frost/Nixon

Frost/Nixon – Frank Langella extremamente inspirado como o altivo Richard Nixon e Michael Sheen à vontade como o inseguro e atrevido apresentador David Sheen. Destaque também para o time de coadjuvantes que inclui Kevin Bacon e Rebecca Hall.

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Almoço em Agosto

Almoço em Agosto – Pouco lembrado pelos cinéfilos online, o filme italiano teve distribuição reduzida no Brasil. Nem por isso deixa de ser a melhor comédia de 2009. O elenco compreende uma série de idosas ao redor de Gianni, um homem de meia idade. Não há nenhum destaque individual no elenco, mas juntos formam uma harmonia que cria o tom cômico. Merece ser lembrado como uma ode à terceira idade e às comédias inteligentes.

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Crítica: ANTICRISTO (2009)

O Mal e a Dor

O Mal e a Dor

Lars Von Trier é sinônimo de polêmica e de caretas e em Anticristo o diretor chega ao feito de expulsar algumas pessoas da sala do cinema. Talvez o longa mais conhecido do diretor pelo grande público seja Dogville, com Nicole Kidman, que tem muita inovação e pouca aceitação pela maioria dos expectadores.  Von Trier é um cineasta experimental, totalmente marcado por seu próprio “eu”, criador de obras que instigam a plateia a pensar de onde raios o diretor tirou aquelas ideias. Neste quesito, Anticristo vai ainda mais longe. Se você tem problemas com cenas fortes, feche os olhos no terço final do filme.

Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg interpretam um casal que acaba de perder o filho pequeno. Por um descuido extasiante, enquanto os dois faziam sexo, a criança pula pela janela de onde moram. A partir daí, Charlotte desenvolve um quadro agudo de ansiedade e o marido, terapeuta, resolve levá-la para a floresta do Éden (o nome já nos indica algo que descobriremos ao fim do filme), onde possuem uma casa de campo. Diante deste argumento, Von Trier desenvolve uma narrativa psicológica e perturbadora.

Anticristo é mais um daqueles filmes em que a temática nos envolve tanto que fica difícil prestar atenção na parte técnica. Ainda assim, é possível perceber a beleza da filmagem do diretor, que oscila entre o onírico idealista e a câmera fechada e sufocante, de um realismo que incomada. O casal também faz bonito e se entrega de corpo, muito corpo, e alma aos papéis difíceis e esféricos, que exigem muito dos atores. Gainsburg levou o prêmio de melhor atriz no festival de Cannes, onde o filme levantou muita polêmica e ira dos setores mais conservadores (e até de alguns “liberais”). Não era para menos.

O sexo redime ou condena?

O sexo redime ou condena?

O longa é simbolismo puro e há dezenas de cenas que poderiam ser citadas para mostrar isso. Destaco duas que refletem a dor da perda do filho pelo pai, que parece não estar se importando com o fato (apenas parece). Uma delas é a águia comendo o próprio filhote, a outra é o veado que possui metade de um filhote parido e podre preso a seu corpo. Outra cena controversa e que gerou muitas reaçõs é a da raposa falante, de que gostei muito, mas que provocou várias risadas (né?). Entre realidade e ficção, a narrativa que é dividida em capítulos evolui de forma angustiante e sufocante, sem mostrar cenas de terror gore, reservadas apenas ao final. Este é um ponto positivo do longa: ele se mantém no mero terror psicológico; quando as piores cenas chegam às telas, já estamos incomodados há tempos.

Cuidado, alguns SPOILERS. Mais ao final, descobrimos certas verdades que mudam completamente nossa visão sobre o filme; é essa a abordagem pela qual Von Trier foi tão criticado. A um primeiro momento, pela visão do diretor, a mulher em si pode ser comparada ao demônio e levar o nome de Anticristo? Sob uma leitura artificial, sim. Mas há pontos no longa que nos mostram que o vilão da história é o ser humano, e não a mulher. Essa é a principal lição que tiramos da contradição humanidade x natureza, presente em todo o longa. Ao final, com os três animais sorridentes, descobrimos que a maldade vem do ser humano hobbesiano, não da natureza amoral. Contudo, o diretor escolhe retratar a temática pelo foco feminino, o que gerou controvérsias compreensíveis.

Anticristo, assim como outras obras de Lars Von Trier permite múltiplas leituras que não se esgotam em uma única sessão (nem em duas, três ou quatro). Polêmico, simbólico, nu e cru, o filme polarizou opiniões e pode causar asco ou fascínio. De qualquer modo, fica impossível negar a importância de Von Trier para o cinema contemporâneo e o poder deste filme sobre o qual escrevo. Se você aguentar o sufoco, não perca a oportunidade e corra ao cinema!

[Decido esta crítica ao Misawa e à Bia, que me acompanharam nesta aventura de assistir a Anticristo]

UPDATE: Veja também esta interessante postagem do CineButeco, que compara Anticristo a O Iluminado.

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